Relação do Flamengo com a Copa do Brasil se estremece e pressão por resultados aumenta no segundo semestre
Pentacampeão da Copa do Brasil, o Flamengo esteve em três finais consecutivas do torneio, entre 2022 e 2024, com direito a dois títulos. Porém, a relação recente com a competição tem se estremecido. Em 2025, a eliminação foi precoce, nas oitavas de final, contra o Atlético-MG. Já na última quinta-feira, o rubro-negro caiu de maneira surpreendente diante do Vitória e, pela primeira vez desde 2016, sequer chegou ao grupo dos 16 melhores.
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A última temporada foi marcada pelo estabelecimento de prioridades nas competições, e a Copa do Brasil foi colocada no fim da fila, com o Brasileirão em primeiro lugar e a Libertadores em segundo — o Flamengo conquistou ambos. Desta vez, porém, o presidente Luiz Eduardo Baptista foi vocal para dizer que queria ganhar uma tríplice coroa. E sofreu o baque imediato.
— Para mim, é Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Qual a prioridade? Quero tudo. Pelo elenco e planejamento. A rotação nunca foi tão bem feita quanto agora — disse Bap em um evento em São Paulo, horas antes da eliminação.
Ajustes em campo
A queda desta semana não aumenta a pressão sobre o Leonardo Jardim a níveis alarmantes nos bastidores do Ninho do Urubu, mas o técnico já admite a necessidade maior de disputar — e eventualmente conquistar — as competições restantes no horizonte do rubro-negro. Ajustes em campo são necessários, principalmente, por conta da ineficiência ofensiva e a fragilidade defensiva.
— Nosso objetivo era manter as três competições em aberto, mas acabamos perdendo. Aumenta a pressão para conquistarmos as outras competições, mas a responsabilidade é a mesma. Atitude não faltou, os jogadores tentaram o melhor — declarou Jardim, em Salvador.
Quem também volta a ter o trabalho colocado sob observação é José Boto, que viveu crises em meados de 2025 e após a demissão de Filipe Luís, em março deste ano, mas conseguiu sobreviver no cargo de diretor de futebol. A parada para a Copa do Mundo e a próxima janela de transferências serão decisivas para que o português mostre a que veio.
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Flamengo
Uma das principais críticas do início do ano foi o fato de não ter conseguido contratar um centroavante reserva, após o fracasso da passagem de Juninho. O elenco também precisa de reforços nas pontas, meio-campo e lateral esquerda. Contratado por Bap no início da gestão pelo seu perfil de scout, Boto tem levado o Flamengo a fazer contratações mais pautados no poderio financeiro do clube do que na capacidade de garimpar talentos.
Ao mesmo tempo, o dirigente vai precisar fazer o diagnóstico de quem precisa sair. Everton Cebolinha é um exemplo de quem já deixou claro a vontade de deixar ao Flamengo ao fim do contrato. O momento pedirá coordenação entre Bap, Boto e Jardim para que o elenco tenha condições de competir da melhor forma. O lado "bom" da queda na Copa do Brasil é ter alguns meios de semana livres a mais durante o restante do calendário.
Até a parada para a Copa do Mundo, o Flamengo tem cinco jogos a cumprir. Dois são contra Estudiantes e Cusco, pela Libertadores, onde a equipe lidera seu grupo. Os outros são contra Athletico-PR, Palmeiras e Coritiba, pelo Brasileirão. O rubro-negro é vice-líder do torneio, com 30 pontos, quatro atrás do alviverde, que tem um jogo a mais.
