Rejeição de Messias tem 1,2 milhão de menções nas redes sociais com prevalência de reações da direita, diz levantamento
A rejeição do Senado à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) movimentou mais de um milhão de menções nas redes sociais desde ontem, com prevalência de parlamentares e representantes da direita, mostra levantamento feito pelo Instituto Democracia em Xeque. O AGU recebeu 34 votos a favor de sua nomeação como ministro na Corte, abaixo dos 41 exigidos como limite mínimo, e 42 votos contrários, simbolizando uma derrota para o governo.
O nome de Messias mobilizou 1,2 milhão de menções on-line entre meia-noite de quarta-feira e 16h quinta-feira, com postagens que totalizaram mais de 10 milhões de interações. O pico de engajamento no tema aconteceu por volta das 20h, com mais de 29 mil citações em um intervalo de 15 minutos, próximo ao momento em que o resultado da votação no plenário. Em paralelo, também foram mobilizadas hashtags contrárias à nomeação do AGU, com destaque para a expressão #VotouMessiasPerdeuEleição, replicada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na manhã que antecedeu a eleição, além de #MessiasNão e suas variações.
Do total de menções contabilizadas no período, o levantamento mostra que 30% corresponderam a uma mobilização para influenciar senadores a votarem contra indicação, com menções ao episódio em que o AGU foi chamado de "Bessias" pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em uma ligação telefônica com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois revelada pelo ex-juiz da Lava-Jato e senador Sergio Moro (PL). Nesse tema, 75% das publicações contabilizadas foram feitas pela direita, 15% pela esquerda e 10% pela imprensa.
Com a rejeição, novas postagens foram feitas, representando 29% do total de 1,2 milhão de posts. Dessas, 61% foram realizadas pela direita, 19% pela esquerda e 20% pela imprensa. No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, disse que o Senado "fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça". Já Moro disse, na legenda de um vídeo publicado, que busca por "um STF independente de Lula e do Poder Executivo, vinculado apenas à lei e à Constituição".
Já do lado do governo, o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que o "Senado sai menor desse episódio lamentável" e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) retomou o rótulo do Congresso como "inimigo do povo".
"Essa turma está salvando golpistas e criando uma crise institucional para se blindar de escândalos como o Banco Master e a Operação Carbono Oculto, que atingiu em cheio o andar de cima do crime organizado e suas conexões com figurões do mundo político em Brasília", escreveu o parlamentar petista.
Além da rejeição ao nome Messias, a Câmara e o Senado derrubaram nesta quinta-feira o veto do presidente Lula ao PL da dosimetria. O tema também mobilizou as redes sociais, mas em menor volume, com 142 mil menções e 867,2 mil interações.
