'Rejeição da extrema-direita até pelo eleitorado de direita', analisa cientista político sobre eleição em Portugal

 

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O candidato de esquerda de Portugal, António José Seguro, será o novo presidente do país a partir de nove de março. Na disputa de segundo turno, algo que não acontecia em Portugal há 40 anos, ele obteve mais que o dobro dos votos do adversário de extrema direita, André Ventura.

António José Seguro, de 63 anos, do Partido Socialista, obteve mais de 66% dos votos válidos contra pouco mais de 33% de André Ventura, do partido Chega, que fez uma campanha anti-imigração.

O professor de Ciência Política da Universidade Lusófona de Lisboa, António Costa Pinto, em entrevista aos âncoras Mílton Jung e Cássia Godoy no Jornal da CBN, faz uma análise da vitória expressiva de António José Seguro no segundo turno.

"Ele vem do centro-esquerda, é verdade. Ele vem do Partido Socialista Português, mas ele apresentou-se como independente com uma campanha eleitoral muito ao centro do espectro político. E na segunda volta houve uma rejeição da extrema-direita até pelo eleitorado de direita. É isso que explica que Seguro tenha tido uma votação tão expressiva".

O cientista político destaca que António José Seguro será um garantidor da democracia liberal:

"Isto vai significar, com a eleição de António José Seguro, que quer o governo, quer o presidente, vão manter a mesma política externa e o presidente vai ser um garante da democracia liberal. Mas a direita em Portugal está muito dividida, Portugal tem um governo minoritário de centro-direita e, portanto, a Ventura vai dizer ao governo, atenção, eu agora continuo a crescer eleitoralmente, porque o Chega cresceu de 1% a 33% em 5 anos, o que é muito impressionante".

António Costa Pinto cita os desafios imediatos do novo presidente:

"Eu creio que o novo presidente vai ter dois desafios, em primeiro lugar ele vai tentar manter o governo minoritário de centro-direita no poder, porque Portugal tem tido uma grande instabilidade política num contexto em que a economia vai bem, em que a sociedade no fundamental vai bem, o desemprego é muito pequeno, mas evidentemente temos tido eleições a mais, de modo que ele vai ser o estabilizador deste governo, que é um governo de centro-direita, mas o próximo desafio vai ser a legislação laboral. O governo apresentou uma proposta mais liberal e o presidente quase de certeza que irá controlar e vetar se essa legislação não for alterada".