Reino Unido dá a sites e veículos direito de impedir que conteúdo alimente a busca com IA do Google

Reino Unido dá a sites e veículos direito de impedir que conteúdo alimente a busca com IA do Google

Fonte: Bandeira



O órgão regulador da concorrência do Reino Unido afirmou nesta quarta-feira que proprietários de páginas na internet, incluindo veículos de comunicação, terão o direito de impedir que seus conteúdos sejam utilizados para alimentar as ferramentas de busca com inteligência artificial do Google.

A decisão responde a uma das principais reclamações de editores digitais e empresas jornalísticas, que acusam plataformas de IA de utilizar conteúdos produzidos por terceiros sem compensação financeira.

Além da questão dos direitos sobre o material publicado, veículos argumentam que os resumos gerados por inteligência artificial nos resultados de busca reduzem o tráfego direcionado aos sites e, consequentemente, afetam receitas publicitárias.

Em comunicado, a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA, na sigla em inglês) afirmou que a medida colocará "os editores, em particular as organizações de imprensa, em uma posição mais favorável para negociar acordos de conteúdo com o Google".

"Pela primeira vez no mundo, os editores passarão a dispor de ferramentas eficazes para impedir que seus conteúdos sejam utilizados para alimentar as funcionalidades de IA na busca", acrescentou o órgão.

Google testa ferramenta de controle para editores

Atualmente, o Google organiza suas buscas com IA em dois formatos principais. O primeiro é o recurso conhecido como "Visões criadas com IA", que exibe respostas sintéticas no topo dos resultados. O segundo é o "Modo IA", sistema baseado em robô conversacional ainda indisponível em alguns países.

Para gerar essas respostas, os sistemas da empresa recorrem ao conteúdo publicado em sites, especialmente veículos de comunicação — prática que motivou críticas crescentes do setor editorial.

Em publicação em blog, a responsável pelo ecossistema do Google Search, Mrinalini Loew, afirmou que a companhia iniciou testes de "um novo controle" que permitirá aos editores digitais "decidir se desejam que seu site apareça (...) e contribua para sustentar as respostas".

Mas a executiva fez um alerta sobre a escolha.

— Os sites que optarem por não participar não receberão tráfego nem impressões — diz.

Google enfrenta regras mais rígidas no Reino Unido

O anúncio ocorre após a CMA classificar o Google, em outubro, como empresa com "status estratégico de mercado" no setor de buscas online, reconhecimento ligado à posição dominante da companhia no Reino Unido.

A classificação submete a empresa a exigências regulatórias mais rigorosas do que as aplicadas aos concorrentes.

Segundo a CMA, cerca de 90% das buscas digitais realizadas no Reino Unido ocorrem por meio do Google, e mais de 200 mil empresas britânicas anunciam na plataforma.