Reino Unido aprova nova pílula para menopausa que pode acabar com ondas de calor e suores noturnos

 

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O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, também chamado de NHS, aprovou nesta quarta-feira (11) um novo medicamento oral não hormonal, o fezolinetante, vendido com o nome comercial de Veozah, projetado para tratar as ondas de calor da menopausa.

As diretrizes do Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (NICE), agência reguladora britânica, recomendam o comprimido de 45 mg para mulheres que apresentam ondas de calor e suores noturnos de moderados a intensos.

"Sabemos que as ondas de calor e os suores noturnos da menopausa podem ter um impacto profundo na qualidade de vida e afetar significativamente o bem-estar geral", afirma Helen Knight, diretora de avaliação de medicamentos do NICE, em comunicado.

No Brasil, não existem remédios específicos sem hormônios para tratar os sintomas da menopausa, embora alguns antidepressivos, anticonvulsivantes e anti-hipertensivos sejam utilizados de forma off-label (uso diferente da bula). E o Veozah aguarda aprovação final pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As ondas de calor ou fogachos, também chamadas de sintomas vasomotores, afetam cerca de 75% das mulheres na menopausa e na perimenopausa (período de transição que antecede a última menstruação).

Um grande corpo de evidências sugere que esse sintoma, no qual uma mulher sente um calor repentino e avassalador, pode ter um sério impacto na qualidade de vida e na produtividade. Estudos descobriram que as mulheres negras sofrem de ondas de calor mais graves e frequentes por períodos mais longos.

Existe apenas um outro tratamento não hormonal que demonstrou efetivamente controlar as ondas de calor — a paroxetina, que é usada principalmente para tratar a depressão, mas foi aprovada pelo FDA em 2013 para ser usada também nos sintomas da menopausa. No Brasil, tem aval apenas para o transtorno psicológico. A outra opção seria o tratamento de reposição hormonal, que pode não ser o recomendado para diversos casos, como por exemplo, mulheres que tiveram ou têm câncer de mama.

Como o remédio funciona?

Cerca de uma década atrás, os pesquisadores identificaram neurônios no cérebro, conhecidos como neurônios KNDy, que regulam a temperatura corporal: a kisspeptina, a neurocinina B e a dinorfina. Eles também descobriram que esses neurônios eram controlados principalmente pelo estrogênio, um hormônio.

Quando as mulheres passam para a menopausa e seus níveis de estrogênio caem, esses neurônios entram em ação. Eles percebem que o corpo está mais quente do que realmente está e, assim, desencadeiam uma cascata de eventos para resfriar o corpo, como o suor. O Veozah contém um composto chamado fezolinetante, que é um antagonista da neurocinina-3, ou seja, que se liga a esses neurônios e os “acalma”.

A Astellas conduziu três testes para Veozah em unidades no Canadá, nos Estados Unidos e em países da Europa, que envolveram no total mais de três mil mulheres que tiveram ondas de calor moderadas ou graves.

Comparadas a um grupo placebo, que não recebeu o remédio, o medicamento reduziu significativamente a gravidade e a frequência dos fogachos em mulheres que tomavam um comprimido por dia.

Muitas mulheres que tomaram o medicamento relataram uma diferença a partir da quarta semana. Em alguns casos, diz Nanette Santoro, professora de obstetrícia e ginecologia na Escola de Medicina da Universidade do Colorado, que foi consultora científica da Astellas durante os testes com a droga, as mulheres relataram sentir uma diferença em somente uma semana.