O órgão regulador de mercados da Austrália está examinando 551 denúncias de potencial má conduta em auditorias nas quatro maiores empresas de contabilidade do país, as chamadas “Big Four”, informou hoje uma comissão parlamentar.
A Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos (ASIC, na sigla em inglês) revisará cada queixa antes de abrir investigações formais, declarou a presidente do órgão, Sarah Court, durante audiência pública em Sydney.
As “Big Four”, grupo composto por KPMG, PwC, Deloitte e EY, têm enfrentado sucessivos escândalos na Austrália, e a revisão de centenas de denúncias pode agravar as preocupações institucionais sobre desvios de conduta no setor.
A KPMG está no centro de uma investigação política e regulatória após um delator alegar que a firma compartilhou informações confidenciais de companhias com clientes potenciais do setor privado para disputar contratos de auditoria.
A ASIC instaurou uma apuração sobre os procedimentos de tratamento de queixas no setor desde julho de 2023, obrigando as consultorias a entregarem documentos internos.
“O volume de documentos apresentados é significativo”, afirmou Chris Savundra, diretor-executivo de fiscalização e conformidade da ASIC, ao Comitê Parlamentar Misto de Corporações e Serviços Financeiros.
“Trata-se de cerca de 551 denúncias nesta etapa. Nosso trabalho está em estágio inicial e seguiremos as pistas. Em resposta a esse material, expediremos novas notificações para obter mais informações, de modo que esse número ainda pode crescer.”
O órgão também investiga suspeitas de conduta imprópria por parte de sócios de auditoria da KPMG, se a empresa violou leis de proteção a denunciantes ao lidar com a reclamação original e se apresentou previamente documentos com informações enganosas ao regulador.
Inicialmente, a KPMG afirmou que as alegações eram infundadas, mas posteriormente confirmou que colaboradores fizeram uso indevido de documentos internos.
Desde que o caso veio à tona, em março, renunciaram aos seus cargos o presidente, o chefe da divisão de auditoria e o presidente do conselho da subsidiária australiana da KPMG.
Sarah Court destacou que as primeiras diligências sobre a KPMG enfrentaram “resistência” e alegações de sigilo profissional legal por parte da firma. “Podemos afirmar, contudo, que a KPMG tornou-se substancialmente mais cooperativa após a troca do CEO”, acrescentou a dirigente.
O caso ganha repercussão três anos após a revelação de que a PwC havia compartilhado minutas confidenciais de planos fiscais do governo australiano para atrair clientes corporativos.
Aquele escândalo deflagrou comissões parlamentares de inquérito e gerou recomendações para fechar brechas na regulação do setor, a maioria das quais segue pendente de implementação.
A KPMG está no centro de uma investigação política e regulatória após um delator alegar que a firma compartilhou informações confidenciais de companhias com clientes potenciais do setor privado para disputar contratos de auditoria Bloomberg
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