Por Bruce WilliamPostado em 28 de outubro de 2026 Depois de 21 anos sem lançar um álbum solo, Tony Iommi voltou ao mercado com "From the Dark", lançado em 23 de outubro de 2026.
O sucessor de "Fused" (2005), gravado com Glenn Hughes, traz oito faixas e uma banda formada pelo vocalista Jorn Lande, pela baixista Becky Baldwin e pelo baterista Karl Brazil. O retorno agradou Regis Tadeu em vários aspectos, mas o crítico brasileiro considera que Iommi cometeu um grande erro ao escolher quem cantaria no disco.
Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, Regis não economizou elogios ao trabalho do guitarrista. Destacou a qualidade dos riffs, dos solos e da banda de apoio, além de reconhecer que o álbum recupera com competência a atmosfera dos tempos em que Ronnie James Dio cantava no Black Sabbath.
O problema, em sua avaliação, é justamente a maneira como Jorn Lande reproduz o estilo do saudoso vocalista. "Agora ele foi contratado pelo Tony Iommi para fazer uma versão encarnada do Ronnie James Dio", disparou o crítico, que também acusou o norueguês de ter construído boa parte de sua carreira imitando cantores como Dio e David Coverdale.
Para Regis, a semelhança chega a níveis caricatos em músicas como "Stormwatcher" e "Return of the Arbalist", comprometendo a personalidade do trabalho. Nem mesmo as boas composições escaparam dessa ressalva.
Regis destacou o riff de abertura de "Over the Violent Sun", elogiou o peso de "Black Times" e "Death Wake", esta última com participação especial de Brian May, e reconheceu a qualidade instrumental de faixas mais aceleradas, como "World Alone".
Em "Beyond the Dead", porém, encontrou ecos da fase de Tony Martin no Black Sabbath, período pelo qual não demonstrou grande entusiasmo. O incômodo atingiu seu ponto máximo em "Legacy", composição de mais de sete minutos que encerra o álbum.
Segundo o crítico, Jorn chega a cantar como se estivesse reproduzindo um encontro imaginário entre Dio e Coverdale. Regis considerou essa abordagem despropositada e até desrespeitosa com os dois cantores.
Em sua avaliação, Iommi deveria ter exigido uma interpretação mais pessoal, em vez de permitir que a sombra de Dio dominasse praticamente todo o repertório. Apesar das críticas, Regis reconheceu que "From the Dark" é um disco pesado, bem executado e repleto das características que fizeram de Iommi uma referência do heavy metal.
O guitarrista, segundo ele, não pretende reinventar o gênero nesta altura da carreira. Ainda assim, voltou a condenar a escolha artística que considera o principal defeito do álbum: "É um disco pesado, impecavelmente tocado, ainda que desonesto na imitação feita pelo Jorn Lande, a mando do próprio Tony Iommi".
A avaliação termina, portanto, com uma curiosa combinação de admiração e irritação: Regis continua impressionado com a capacidade de Iommi de criar riffs marcantes, mas acredita que o guitarrista teria produzido um álbum melhor se tivesse dado menos espaço à imitação de Ronnie James Dio.
Whiplash