Regina Casé e filha, Benedita, falam sobre capacitismo no

Regina Casé e filha, Benedita, falam sobre capacitismo no 'Conversa com Bial'

Fonte: Bandeira



Mãe e filha, Regina Casé, de 72 anos, e Benedita Casé, de 37, são as convidadas do Conversa com Bial desta terça-feira (21).

Gravado no teatro do Copacabana Palace, na Zona Sul do Rio de Janeiro, com plateia, o programa celebra um momento especial da dupla: as duas estão em cartaz com espetáculos que abordam temas urgentes e contemporâneos.

Enquanto Benedita está em Surda, peça que amplia o debate sobre acessibilidade, inclusão e vivências da comunidade surda, Regina protagoniza Viva a Vida, obra que convida o público a refletir sobre a crise climática a partir de uma perspectiva sensível e esperançosa.

Escrita por Julia Spadaccini, dramaturga que perdeu a audição no fim da adolescência e no início da vida adulta, Surda propõe uma imersão no universo das pessoas surdas, trazendo reflexões sobre identidade, pertencimento, maternidade, autonomia e as barreiras – visíveis e invisíveis – enfrentadas diariamente por essa comunidade.

No programa, Benedita fala sobre a experiência de levar essas questões ao teatro e de como sua trajetória pessoal atravessa o trabalho artístico.

Benedita nasceu ouvinte e teve uma perda auditiva grave, ocasionada pelo excesso de antibióticos ingeridos por ela quando criança por conta de um problema no parto da mãe.

Atualmente, ela tem de 75% a 80% de perda auditiva nos dois ouvidos: não ouve os sons muito agudos, só os graves.

Na atração, ela recorda ainda o longa 90 Decibéis, em que também interpreta uma mulher surda, e revela que algumas cenas do filme nasceram de sentimentos pessoais.

"Existe um medo, sobretudo quando fui morar sozinha, que é como eu vou ficar em casa e não ouvir alguém bater na porta, um incêndio, enfim, situações que possam me colocar em perigo.

Mas, principalmente, quando eu engravidei, tinha medo de ser dependente de outra pessoa para dar conta de cuidar do meu filho, e depois fui entendendo que ele me ajuda muito mais do que eu poderia imaginar, como mudar o tom da voz, me avisar sobre as coisas", conta.


Ao refletir sobre inclusão e convivência com as diferenças, Regina traz o termo "capacitismo", que é o preconceito com pessoas que têm algum tipo de deficiência, ao achar que não são capazes de fazer algo.

"A gente se deu conta, e é algo que me emociona, de que a gente luta contra o capacitismo, que é um termo que eu aprendi com ela.

Ela que me deu o letramento anticapacitista, que sempre achamos que o outro é capacitista, e eu descobri que eu e ela éramos, então foi libertador para nós também."

Regina, por sua vez, está no teatro com Viva a Vida, espetáculo idealizado e dirigido por seu marido, Estêvão Ciavatta, que une arte, ciência e tecnologia para propor uma conversa sobre o futuro do planeta.

No palco, a atriz protagoniza um encontro poético com a Terra, convidando o público a refletir sobre a crise climática sem recorrer ao alarmismo.


A atriz revela que a delicadeza com a qual o tema é tratado é um dos elementos que mais a encantou no projeto: "Digo por mim: sempre que eu vejo uma coisa muito alarmista, eu me sinto mais incapaz, aquilo é paralisante.

O que eu acho que o Estevão fez com maestria é ter uma doçura, uma ternura ao criar essa obra.

O que eu fiz foi puxar pela emoção, porque eu acho que quando chega aquele momento em que você dá uma chorada ou uma gargalhada, você assimila mais aquilo", reflete.

Conversa com Bial vai ao ar na TV Globo às terças-feiras, após Pablo & Luisão.

O programa tem apresentação e redação final de Pedro Bial, direção de Fellipe Awi, direção artística de Gian Bellotti e produção de Anelise Franco.

A direção de gênero é de Monica Almeida.

Regina Casé e Benedita Casé no 'Conversa com Bial'

Globo/ Estevam Avellar