Refugiado com deficiência visual parcial é abandonado por agentes da alfândega e morre nos EUA
O corpo de Nurul Amin Shah Alam, um refugiado de 56 anos com deficiência visual parcial, foi encontrado morto na cidade de Buffalo, no estado de Nova York, dias após ter sido deixado em uma cafeteria por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP). Segundo as autoridades locais, o homem, que pertencia à comunidade de refugiados de Myanmar, país asiático próximo à Tailândia, havia entrado nos Estados Unidos legalmente em dezembro de 2024 e não era passível de deportação.
A morte de Shah gerou reações políticas. O prefeito de Buffalo, Sean Ryan, classificou o ocorrido como uma negligência "profundamente perturbadora" e "desumana", disse também que a fatalidade era evitável. Segundo o prefeito, um homem vulnerável foi deixado sozinho em uma noite fria de inverno sem que ninguém fosse notificado para garantir sua segurança.
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, reforçou as críticas, destacando que um pai cego foi liberado da custódia federal diretamente na rua e nunca conseguiu retornar para sua família. Holochul solicitou uma investigação independente e a responsabilização dos envolvidos.
Em comunicado, a CBP afirmou que o Departamento de Polícia de Buffalo havia alertado a Patrulha da Fronteira sobre a presença do estrangeiro em 19 de fevereiro. A agência alegou que ofereceu uma carona a Shah Alam — que ele teria aceitado — até uma cafeteria próxima ao seu último endereço conhecido, por considerar o local seguro e acolhedor. Ainda segundo eles, o homem não apresentava "sinais de sofrimento", problemas de mobilidade ou deficiências que exigissem assistência especial, mas recusou-se a responder se a família ou advogados foram notificados sobre a soltura.
Na manhã de terça-feira, o departamento de polícia publicou nas redes sociais um pedido de ajuda do público para localizar Shah Alam, que estava desaparecido. A publicação informava que ele foi visto pela última vez por volta das oito da noite, perto do cruzamento da Rua Niagara com a Rua Ontario, e que vestia uma jaqueta de inverno escura. Na tarde de quarta-feira, o departamento atualizou sua publicação para informar que não estava mais procurando pelo homem.
A família de Shah contesta a condução do caso. Seu filho, Mohamad Faisal, relatou à agência Reuters que ninguém entrou em contato com ele ou com sua família.
