Reeleito com votação recorde, Tarcísio deve fazer pelo menos oito viagens com Flávio Bolsonaro pelo Brasil

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Após um primeiro turno em que passou a maior parte do tempo descolado da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), planeja uma série de viagens com o aliado durante o segundo turno da eleição presidencial. Reeleito com 62% dos votos válidos, Tarcísio teve votação recorde no estado, o que pode embalar a candidatura do senador.

SP: Com 62%, Tarcísio tem a maior votação em SP no primeiro turno desde a redemocratização De acordo com pessoas próximas a Tarcísio, há a possibilidade de o governador realizar pelo menos oito viagens em apoio a Flávio. Uma delas seria para o Mato Grosso, após pedido do governador Otaviano Pivetta, também do Republicanos e reeleito neste domingo. O roteiro ainda não foi fechado. Nesta segunda-feira (5), Tarcísio embarca para Brasília, onde se reunirá com Flávio para tratar do cronograma de viagens. — Não vai haver desmobilização, vai haver trabalho, trabalho intenso, para que a gente possa encerrar esse ciclo que não está sendo bom para o Brasil (...) Vamos nos encontrar em Brasília. A gente vai sentar e planejar isso. O que estou agora de pronto é me colocando à disposição. Eles vão contar com um soldado aqui para a gente usar essa força, essa energia que nós temos aqui no estado de São Paulo para fazer a diferença. E essa energia vai estar à disposição de Flávio Bolsonaro a partir de agora — afirmou Tarcísio, em entrevista coletiva após o anúncio da vitória.

Na quinta-feira (1), Tarcísio falou pela primeira vez sobre a possibilidade de viajar ao lado de Flávio, mas ainda não havia definição de locais. Antes, eles precisam entender as demandas e as necessidades de mobilização em cada estado. — Se acontecer de realmente encerrar a disputa em São Paulo no domingo, eu vou estar, e estaria também de qualquer forma, mesmo que não encerrasse, à disposição do Flávio para ajudá-lo muito no segundo turno. Aqui em São Paulo e até fora do estado — disse ele, durante coletiva de imprensa. A disposição de Tarcísio de rodar o Brasil com Flávio Bolsonaro ocorre após uma série de sinais de que ambos divergiam de postura. Desde antes da campanha, o governador vinha mantendo um certo distanciamento do presidenciável, por três questões: não querer se "contaminar" com os casos "Dark Horse" e Master, além de angariar votos de eleitores de Lula. Outro motivo do "afastamento estratégico" é um eventual interesse do governador na sucessão presidencial de 2030. Após cobranças da base aliada de Tarcísio, entretanto, o governador se viu mais à vontade para juntar forças com Flávio. Somou-se a isso o fato de que a eleição paulista estava bastante "encaminhada". Nas últimas duas semanas, ambos estiveram juntos em um rodeio, em passeatas no centro de São Paulo, além de uma motocarreta no interior. Essa última ocorreu no sábado (3), entre Santa Barbara d'Oeste e Americana. Apuração Tarcísio acompanhou a apuração em uma casa de eventos no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, com capacidade para até 2 mil pessoas. Ele estava ao lado de seu secretariado e aliados como o prefeito Ricardo Nunes. Entre os secretários estaduais, estiveram presentes Osvaldo Nico Gonçalves (Segurança), Marcos da Costa (Pessoa com Deficiência), Natália Resende (Meio Ambiente) e Nerylson Lima (Casa Civil).

Assim que o resultado da apuração foi divulgado, Tarcísio subiu ao palco e fez o primeiro pronunciamento como governador reeleito. Na ocasião, agradeceu ao ex-presidente Jair Bolsonaro: — Agradecer Jair Bolsonaro, que me abriu as portas muito tempo atrás. Que passa por sofrimento hoje, mas o tempo da justiça vai chegar. O tempo da justiça está chegando. O tempo da virada está chegando. Tenho certeza que essa virada vai chegar e vai chegar bem próxima. Muito obrigado — afirmou.

Outro político presente na apuração foi o ex-candidato ao Senado Ricardo Salles (Novo), que desistiu de disputar o Senado na última semana da campanha, após uma conversa com Tarcísio. Na chegada, Salles afirmou que poderá integrar o próximo governo, caso convidado, embora tenha dito que não tratou de cargo com o governador.

— Não descarto, obviamente (um cargo no governo), pois na política tudo é possível, mas não foi objeto da nossa discussão, não foi esse o motivo da desistência, tanto por parte do governador quanto por minha parte. Foi uma coisa muito mais pensando no estado de São Paulo e no Brasil do que qualquer questão política ou governamental — disse Salles. Questionado se o seu partido, o Novo, pode ingressar no próximo governo, Salles também não descartou.

— Bom, se eu for convidado, o Novo será automaticamente convidado, quer dizer, essa é a lógica. Mas não preciso ser eu, necessariamente, pode até ser, eventualmente, uma outra pessoa do partido — disse o deputado.

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