Reduto da campeã Viradouro, Niterói é terra boa de samba e de episódios históricos

 

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Nelson Jangada amava uma festa. Na casa dele, no bairro do Viradouro, em Niterói, era samba dia, tarde e noite. Incansável. Em época de carnaval, o que já era intenso multiplicava. Durante um bom tempo, frequentava o bloco União do Viradouro. Mas tudo mudaria por causa de um desentendimento. Briga daqui, briga dali e Seu Nelson, como era conhecido, resolveu juntar uns amigos e fundar a Unidos do Viradouro, em 1946. Golaço, diriam. Nos anos 1990, após inúmeras vitórias no carnaval de Niterói, a escola de samba abocanhou o título na principal Avenida do Brasil. O genial carnavalesco Joãozinho Trinta assinou “Trevas! Luz! A Explosão do Universo”, em 1997. Lembro como se fosse hoje da paradinha de Mestre Jorjão. Era uma catarse, em especial quando comparado ao marasmo entediante da minha Portela. Aos 12 anos, não compreendia por que eram tão distintas.

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Surgido na Estácio e cria do carnaval, Mestre Ciça já atravessou diferentes escolas. É uma das figuras mais respeitadas não só do universo em que é ás de ouro, mas da cultura. Conhecido pela precisão e generosidade, é uma resistência em meio à inundação (nada nova, vale dizer) de subcelebridades em cargos vitais nas agremiações. “É a vitória do sambista”, disse ao saber da conquista da Viradouro em 2026. Ciça foi enredo. Para bom entendedor, os pingos nos is foram dados. Niterói levanta o caneco com samba no pé, homenageando uma figura próxima e sem a papagaiada do repeteco moderno de homem voador.

Por falar em Niterói

No local onde hoje está a Igreja de São Lourenço começou a história de Niterói. Em frente ao templo está a estátua de Arariboia, indígena que se aliou aos portugueses nas lutas contra franceses e grupos indígenas rivais. Pela vitória, recebeu dos colonizadores uma porção de terras no século XVI — há correntes históricas que defendem entre 1568 e 1570.

Instalado na área, Arariboia passou a colaborar com a defesa da cidade do Rio de Janeiro, favorecida pela posição estratégica do terreno. Ali fundou a aldeia de São Lourenço dos Índios, núcleo que, em 1834, seria elevado à condição de cidade de Niterói.

Uma igreja foi construída no local ainda no século XVI. Ao longo do tempo, o templo religioso passou por reformas e reconstruções, chegando à configuração atual em 1769. Hoje, a presença da estátua de Arariboia diante do templo reforça a ligação do espaço com as origens da cidade.

Já que lembrei de conflitos...

A Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Jurujuba, Niterói, teve papel central na defesa do Rio de Janeiro e também ganhou fama como uma das prisões mais temidas do país. Considerada por muitos como intransponível, a história mostra que a realidade foi um pouco diferente.

A construção teve início em 1555 e, desde cedo, o local viveu períodos de tensão. Em 1710, por exemplo, seus canhões foram acionados para defender a cidade contra a ofensiva francesa. Já em 1862, a fortaleza integrou um sistema de barreiras preparado diante da possibilidade de ameaça inglesa.

Além da função militar, o espaço abrigou presos em celas subterrâneas descritas como úmidas e infestadas de ratos. Entre os detidos esteve Motta Coqueiro, que passou pelo local antes de entrar para a história como um dos últimos executados pela pena de morte no Brasil.

Embora a reputação de fortaleza inexpugnável tenha se consolidado ao longo do tempo, registros apontam episódios de fuga. Um dos mais citados é o de La Salle, que em 1710 teria escapado da prisão ao pular o muro da fortificação, sem nunca ter sido recapturado.

Por fim

Quer ver desfile raiz? Então o negócio é partir pra Intendente Magalhães, no subúrbio carioca. Hoje e amanhã, a partir das 18h, acontece a série Bronze. A tradicionalíssima Caprichosos de Pilares está nesse grupo. Se bobear, você ainda ganha uma fantasia e contribui para o espetáculo.