Redução da Selic melhora ambiente para setor imobiliário, mas efeito no crédito será gradual

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A redução da Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, melhora o ambiente para o mercado imobiliário, mas ainda não é suficiente para produzir um alívio significativo no custo do crédito. Para a Abrainc, a queda não reduz de forma relevante a pressão dos juros sobre a economia brasileira. - Famílias e empresas continuam submetidas a um custo financeiro muito elevado, apesar da queda da inflação e dos sinais claros de perda de força da atividade. A manutenção desse nível de juros compromete o crescimento, o emprego e a renda - afirma Luiz França, presidente da ABRAINC. Para o setor imobiliário, o efeito mais imediato é a sinalização de que o ambiente de juros começa a ficar menos restritivo. "Toda redução na taxa de juros é sempre positiva, pois grande parte dos nossos compradores utiliza o financiamento para adquirir o imóvel", afirma Vitor Moura, sócio-presidente da Patrimóvel. Segundo ele, a expectativa é que a redução da Selic chegue às taxas cobradas pelos bancos e também aumente o interesse dos investidores pelo setor. Ainda assim, juros menores podem abrir espaço para renegociações e portabilidade de dívidas e, se o movimento continuar, melhorar as condições dos financiamentos. Victor Tulli, economista e diretor de Tecnologia e Novos Negócios da Administradora Nacional, destaca que o crédito imobiliário avançou mais de 20% no primeiro semestre de 2026, o que mostra que o setor chega ao atual ciclo de redução de juros mais resiliente do que se poderia esperar. Para ele, se a trajetória de queda persistir, o mercado pode chegar a 2027 com taxas de financiamento efetivamente menores. A redução dos juros também afeta as empresas que atuam na construção e incorporação. Segundo Gustavo Magno, diretor de Incorporação e Novos Negócios da Avanço Realizações Imobiliárias, taxas menores reduzem o custo financeiro de projetos, desde a aquisição do terreno até a execução das obras. Com isso, empreendimentos que antes não avançavam por causa do custo do dinheiro podem se tornar viáveis. - Existe ainda uma terceira frente, que é a mudança na decisão dos investidores. Com a Selic elevada, a renda fixa oferece retornos atrativos e concorre diretamente com os imóveis. À medida que os juros caem, essa diferença diminui, o que pode levar parte dos investidores a buscar novamente ativos reais para diversificar seus portfólios. Para quem tem dinheiro disponível e disposição para negociar, o cenário de juros elevados também pode criar oportunidades. Segundo Marina Brasil, corretora de imóveis especializada no segmento de alto luxo, vendedores que precisam de capital podem estar mais dispostos a negociar, permitindo ao comprador apresentar propostas mais agressivas e obter descontos. - Nesse caso, o vendedor pode optar por fechar o negócio, reduzir seus custos fixos e colocar o recurso para render. Ou seja, em momentos de maior restrição, também surgem oportunidades para quem tem capital e disposição para negociar. Sandro Moraes, diretor da Lopes Select, lembra também que a continuidade do ciclo de cortes é especialmente importante porque tende a reforçar a confiança de compradores e investidores.

- Para uma parcela de investidores mais capitalizados, a redução gradual da atratividade relativa da renda fixa pode estimular a diversificação em imóveis, tanto para moradia quanto para investimento.

Wagner Paz, CEO da WPX Empreendimentos, destaca que redução progressiva do custo financeiro pode melhorar as condições para novos lançamentos e investimentos. E, no caso do Rio, salienta que favorece ainda projetos de transformação urbana, especialmente no Centro, onde o retrofit e a ocupação residencial de edifícios existentes fazem parte de uma nova dinâmica de desenvolvimento.

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