Rede hoteleira dos EUA vê procura por quartos na Copa do Mundo abaixo do esperado; ingressos caros e sentimento anti-americano estão entre os motivos

 

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Diante de uma procura menor do que a esperada até o momento, os hotéis nos Estados Unidos estão reduzindo drasticamente os preços das diárias dos quartos para a Copa do Mundo. Entre os motivos da baixa demanda estão os ingressos caros das partidas, o medo da inflação e o sentimento anti-americano.

As tarifas de hospedagem para os dias de jogos em cidades-sede como Atlanta, Dallas, Miami, Filadélfia e São Francisco caíram cerca de um terço em relação ao pico registrado no início do ano, segundo o rastreador de dados Lighthouse Intelligence.

A própria Fifa, entidade organizadora da competição, cancelou milhares de reservas de quartos que havia contratado para equipes técnicas. Um excesso de reservas no início é considerado normal, mas a quantidade de cancelamentos surpreendeu os hoteleiros.

De acordo com Lior Sekler, diretor comercial da operadora de hotéis HRI Hospitality, esperava-se que a Copa do Mundo fosse atrair um elevado número de torcedores tanto nas cidades-sede quanto nas regiões vizinhas, mas não é isso que acontece até o momento.

Ele acredita que a baixa demanda internacional esteja relacionada com a rejeição ao governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e suas políticas de vistos e imigração, além do medo da inflação por conta da guerra no Oriente Médio. Os valores das passagens aéreas também podem aumentar devido à alta nos preços dos combustíveis.

Outra preocupação é o preço dos ingressos. São poucos jogos com bilhetes disponíveis, mas alguns dos mais baratos ainda à venda custam US$ 530 (cerca de R$ 2.645) — para o duelo entre Curaçao e Costa do Marfim. Os mais caros são para a grande final, com ingressos que chegam a US$ 10.990 (aproximadamente R$ 54.852).

Um grupo de torcedores chamado Football Supporters Europe estimou que, se alguém quiser acompanhar sua seleção da estreia até a final da Copa — oito jogos —, precisaria gastar pelo menos US$ 6.900 (cerca de R$ 34.438) — um custo quase cinco vezes maior em relação ao torneio de 2022, no Catar.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, chegou a dizer em 2024 que as cidades-sede deveriam esperar "centenas de milhares" de pessoas para a Copa do Mundo. Contudo, para Vijay Dandapani, presidente da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York, a realidade não indica que a promessa será concretizada.