A Ri Happy foi adquirida pela BluSun Capital Partners, em operação anunciada nesta segunda-feira, 31, que envolveu 100% do capital do grupo.
A varejista, conhecida como uma das principais empresas especializadas em brinquedos e produtos infantis do país, passa a ser comandada por Héctor Núñez, em substituição a Thiago Rebello.
Os termos financeiros não foram divulgados.
A compradora foi constituída em 11 de agosto e tem capital social de R$ 5 mil, segundo ficha cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) obtida pelo Valor.
O ato de constituição foi arquivado em 21 de agosto, dez dias antes do anúncio da compra.
A ata registrada na Jucesp descreve a criação de uma sociedade de capital fechado na forma de subsidiária integral.
Pela Lei das S.A., a subsidiária integral é a companhia cujo capital pertence por inteiro a uma única sociedade brasileira.
Essa controladora não é identificada no registro público nem no comunicado da operação.
A ficha traz uma única administradora, no cargo de diretora presidente, com mandato até agosto de 2029.
O objeto social declarado é o de holding de instituições não financeiras, e o endereço, um conjunto comercial na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.
Procurado, o Grupo Ri Happy informou ao Valor que a BluSun é uma sociedade anônima brasileira de capital fechado, e que Héctor Núñez integra a sua estrutura de controle.
A companhia informou ainda que o controle da varejista estava com a SPX Capital.
A gestora foi procurada e não retornou até o fechamento desta matéria.
Segundo o comunicado da operação, Núñez foi presidente do Walmart Brasil, ocupou posições de liderança na The Coca-Cola Company e trabalhou mais de nove anos na própria Ri Happy.
A Ri Happy passou por uma reestruturação de dívida bancária há três anos.
Em agosto de 2023, segundo o Valor apurou à época, a rede fechou acordo com nove bancos credores para reperfilar R$ 289 milhões, com um ano de carência e vencimentos entre dezembro de 2027 e dezembro de 2028, concentrados no fim do prazo.
Banco do Brasil, Santander e BV detinham 75% da dívida, e o Carlyle, então controlador, aportou R$ 75 milhões como contrapartida — recursos destinados a capital de giro e ao abastecimento das lojas para o Dia das Crianças e o Natal.
A negociação foi assessorada pela gestora Starboard.
É esse calendário que a nova gestão herda.
O Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal concentram o volume decisivo do ano para o varejo infantil, e os pedidos à indústria são fechados agora.
Questionada sobre se houve mudança nas condições de prazo, garantia ou limite de crédito exigidas pelos fornecedores nesta temporada, a Ri Happy respondeu apenas que a preparação para o Dia das Crianças já foi iniciada e terá continuidade conforme o planejado.
Procurada, a Abrinq, associação que representa os fabricantes de brinquedos, avaliou que a troca de controle não deve alterar a relação da rede com a indústria.
Segundo Synesio Costa, presidente da entidade, Núñez já é parceiro da Abrinq e do setor de brinquedos desde a passagem anterior pela companhia, período em que a relação foi boa.
“A relação continua a mesma e tende a melhorar”, disse, acrescentando que espera aumento nos negócios.
Para ele, a mudança se dá no ambiente interno da varejista, não na relação com os fabricantes.
