Recuperação judicial dá brecha para Botafogo reverter transfer ban, evitar perder jogadores e voltar ao mercado; entenda
Mecanismo jurídico usado recentemente pelo Vasco, a recuperação judicial da SAF do Botafogo dará brecha para o clube reverter as dívidas na FIFA (transfer ban) e na CBF (Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), evitar perder jogadores de graça ou na Justiça e voltar ao mercado.
A decisão do desembargador Marcelo Almeida de Moraes Marinho, após petição na 2ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Rio, era a única alternativa possível para a sobrevida da SAF, que acumula dívida de R$ 2,5 bilhões.
Com o pedido de John Textor e sua diretoria, o Botafogo terá as dívidas congeladas com clubes na CBF, com atletas e empresários, e precisará resolver apenas as pendências na Fifa. Com a alegação da recuperação judicial, há jurisprudência de perdão do transfer ban do próprio Vasco.
Em julho do ano passado, o clube de São Januário reverteu a decisão da Fifa por causa da dívida com o Newell's, da Argentina, pela contratação do volante Sforza. Recentemente, o Botafogo também teve um transfer ban nacional pela CNRD por acordo não pago. Na decisão desta quarta, o desembargador determinou que a CBF seja oficiada pela interrupção da cobrança.
Também ficou decidido que "fornecedores essenciais e atletas" se abstenham de rescindir indiretamente os contratos firmados com a SAF pelo não pagamento de valores em aberto, o que evita que o Botafogo perca atletas de graça na Justiça por atrasos salariais, por exemplo.
Acordo de credores e aporte
Tudo agora vai depender de como os credores do Botafogo vão se posicionar. Assim como o Vasco, será preciso fazer acordo para pagar 100% dos créditos FIFA e CNRD. O entrave pode vir se os credores se reunirem e juntarem créditos suficientes para rejeitar o plano inicial da categoria.
Até esse processo se desenrolar, Textor tenta aprovar novo aporte de 25 milhões de dólares e tem caminho livre para negociar jogadores na próxima janela de transferências - Danilo é a bola da vez. Com a entrada de mais recursos, a SAF pode rodar e ir ao mercado fazer o dinheiro girar.
O principal objetivo esportivo e econômico será proteger o único patrimônio que vale dinheiro na SAF: os atletas. Seja os mantendo ou negociando para colocar dinheiro em caixa para, em tese, pagar parte das dívidas e manter o projeto de pé, mas desta vez sem repassar nada para o Lyon. Focar no Brasil.
Em nota, a SAF do Botafogo não escondeu que usou o pedido de Recuperação Judicial como movimento estratégico de reorganização financeira e correção de rota para a continuidade e fortalecimento do projeto esportivo iniciado em 2022.
Como parte do pedido, a SAF também solicitou a suspensão temporária do direito de voto do acionista majoritário (Eagle) que, segundo a narrativa, tem usado a posição para obstruir a chegada de novo capital ao Botafogo. Em outra decisão, o Lyon foi condenado a pagar dívida de R$ 122 milhões. Mais um respiro para a SAF alvinegra tentar reencontrar o seu caminho.
"A medida tem como prioridade absoluta a proteção das atividades do clube e o cumprimento dos compromissos com seus atletas, funcionários e prestadores de serviço, que seguirão recebendo atenção especial ao longo de todo o processo", completou o comunicado da SAF.
