Recuperação e mais aulas: conheça as estratégias usadas pelos estados líderes do Ideb no ensino médio - QTU Questões do Universo

Recuperação e mais aulas: conheça as estratégias usadas pelos estados líderes do Ideb no ensino médio

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A recuperação de conteúdos que não foram aprendidos e a ampliação do tempo diário de aulas estão entre as estratégias adotadas pela maioria dos estados que mais se destacaram no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado no começo do mês pelo Ministério da Educação (MEC).
O avanço dessas redes também está associado a outros fatores importantes para a aprendizagem, como a organização curricular, a qualidade dos materiais de ensino, o uso adequado das avaliações e a formação continuada dos professores.
Seis redes estaduais se sobressaíram no ensino médio, a última etapa da educação básica e também a mais desafiadora.
Em 2025, Piauí e Rio Grande do Sul tiveram os maiores crescimentos nas notas do Ideb (que vai de 0 a 10) e se juntaram a Goiás, Espírito Santo, Pernambuco e Paraná, que assumiu a liderança entre as redes públicas.
Apesar do desempenho, os estudantes ainda apresentam nível de aprendizagem considerado apenas básico em Português e Matemática.
São, contudo, as únicas que alcançam esse patamar nas duas disciplinas.
— O Brasil está avançando, mas os níveis de aprendizagem ainda são muito baixos — pondera o diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa.
Recomposição
Para atingirem esses objetivos, um dos aspectos mais citados pelos estados é a recomposição de aprendizagens.
A medida pedagógica consiste, via de regra, em aplicar uma prova no início do ano para saber o nível que cada aluno atingiu e, a partir de então, desenvolver maneiras para recuperar aquilo que ele não aprendeu.
Cada rede, no entanto, tem seu próprio modelo.
A iniciativa ganhou força no Brasil após a pandemia.
Especialistas apontam, no entanto, que antes da Covid-19, as turmas já apresentavam essa necessidade.
Segundo o secretário estadual de Educação do Paraná, Roni Miranda, essa foi uma das estratégias para o estado obter o melhor desempenho do país — mesmo com só 7% de alunos em tempo integral.
Lá, os alunos são avaliados a cada três meses para saber o nível de aprendizagem de cada um.
Depois disso, os que mais precisam passam a ser atendidos em turmas especializadas durante parte do dia.
— E a cereja do bolo é que colocamos dois professores por turma de recomposição, dividindo os alunos por níveis.
Organizamos para que eles trabalhem de forma personalizada — contou Miranda.
De acordo com Guilherme Lichand, professor de Educação da Universidade de Stanford, nos EUA, os programas de recomposição de aprendizagem implementados no Brasil ainda precisam evoluir.
Na avaliação dele, o estado de São Paulo está trabalhando em um formato mais sofisticado, mas ainda em fase de implementação.
Ele observa, no entanto, que mesmo as experiências mais refinadas ainda têm limitações.
— As melhores práticas de recomposição não fazem o aluno aprender cinco anos em um.
É só mais um (ano).
Ou seja, defasagens que se acumulam não são impossíveis de solucionar, mas não se pode deixar isso acontecer desde os anos iniciais.
A criança tem que terminar o 3º ano do fundamental superfluente na leitura e craque na Matemática — afirma Lichand.
Tempo integral
Outra medida que ganhou tração no biênio — o Ideb é medido a cada dois anos — foi o crescimento das matrículas em tempo integral, modelo com pelo menos sete horas de aula por dia.
Essa foi, por exemplo, a principal estratégia do Piauí, que passou de 19% para 81% de alunos em escolas com carga horária ampliada.
A jornada lá é ainda maior: nove horas por dia.
Por isso, diz o secretário de Educação do Piauí, Rodrigo Torres, foi possível cumprir o currículo base, fazer recomposição de aprendizagem e incluir disciplinas que eles chamam de inovadoras, como de Inteligência Artificial.
— A gente colocou na rede pública uma série de oportunidades para tornar atrativa a aprendizagem — diz Torres.
De acordo com Ana Paula Pereira, diretora-executiva Instituto Sonho Grande, os resultados são ainda mais robustos quando todas as matrículas da escola são de tempo integral, com nove horas diárias e elementos estruturantes garantidos, como professores com dedicação exclusiva e formação continuada.
— Com isso o Brasil pode alcançar a meta do Plano Nacional de Educação de 80% dos alunos com aprendizagem adequada em Português e Matemática até 2036.
Mas a qualidade da implementação fará toda a diferença — afirma.
A rede do Rio Grande do Sul foi outra que ampliou o tempo integral, mas ainda em patamares bem menores do que o Piauí.
Ele passou de 4% para 20%.
O estado, que passou pela tragédia das enchentes em 2024, implementou um sistema com IA contra a evasão dos alunos.
— Todo dia o orientador educacional acompanha e busca quem estiver em risco.
Isso gera um plano de atenção individualizado.
No ano passado, foram 188 mil alunos — diz Raquel Teixeira, secretária estadual de Educação do estado.
A receita de cada um
Paraná (Ideb 5,1)
O secretário de Educação Roni Miranda afirma que padronizou o currículo, o material didático, a formação de professores e a qualificação dos diretores.
Além disso, criou metas e bônus para as escolas que atingem esses objetivos completamente ou apenas 50%.
Piauí (Ideb 4,9)
A principal aposta é a ampliação do tempo na escola para nove horas, com ensino técnico.
Também fez mudanças no currículo, diminuiu o número de estudantes por turma, buscou uma infraestrutura mínima nas escolas e criou incentivo como bolsas para alunos darem monitorias.
Goiás (Ideb 4,9)
Segundo maior Ideb do país no ensino médio, empatado com Piauí e Espírito Santo, diz que o resultado é fruto de acompanhamento sistemático da aprendizagem, formação continuada dos profissionais, recomposição das aprendizagens, plataformas educacionais e apoio às escolas.
Pernambuco (Ideb 4,7)
Pioneiro na expansão do tempo que os jovens ficam na escola, com 61% das matrículas em tempo integral, o estado com o 4º maior Ideb defende que consolidou “uma cultura de avaliação e monitoramento” com acompanhamento pedagógico e fortalecimento da gestão escolar.
Rio Grande do Sul (Ideb 4,7)
O plano possui utilização de IA para predição de evasão, avaliação com diagnóstico da aprendizagem, material pedagógico estruturado, formação de professores e monitoramento de frequência, nota, percentual da aulas dadas e aplicação dos recursos.
Espírito Santo (Ideb 4,9)
O estado entende que, entre as principais ações, estão a recomposição das aprendizagens, o acompanhamento sistemático da progressão dos estudantes, a formação continuada de professores e gestores, a educação integral e o fortalecimento da gestão pedagógica das escolas.