'É recomeçar do zero', diz funcionário que pulou do segundo andar para se salvar do fogo na Ceasa
O relógio passava das 6h desta terça-feira quando um incêndio atingiu pelo menos seis lojas nos Pavilhões 22 da Ceasa, em Irajá, Zona Norte do Rio, nesta terça feira. Júlio César de Oliveira Gomes, administrador da loja RJ Vieira, que vende desde frutas a bebidas, conta que estava no segundo andar do estabelecimento quando viu o fogo começar na parte elétrica. Ele acabou queimando o braço esquerdo nesse combate às chamas, do qual ele e outros funcionários da central de abastecimento participaram antes da chegada dos bombeiros.
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Já com uma pomada aplicada sobre o membro ferido, que ardia, o administrador descreveu que essa não foi a única consequência em seu corpo por conta do incêndio.
— O pé está doendo, porque pulei lá de cima — conta Júlio, que nem pensou em usar a escada durante o nervosismo. — Você escolhe: ou chamusca, ou pula.
Ele conta que, depois de deixar o segundo andar, passou a ajudar a combater o incêndio. O administrador explica que foram usados extintores de incêndio, até alguns emprestados por lojas vizinhas, e uma mangueira do sistema de incêndio local. Foi nesse momento que, segundo ele, a água do equipamento acabou. Um carregador de mercadorias do Ceasa contou a mesma versão, mas preferiu não se identificar.
— Se tivesse água, eu teria debelado o incêndio no começo — avalia Júlio.
O Corpo de Bombeiros informa que utiliza recursos das próprias viaturas e, por isso, não pode atestar o funcionamento ou falha de equipamentos preventivos locais, como mangueiras. Já a administração da Ceasa, também procurada, não respondeu sobre o tema até a publicação da reportagem.
Bombeiros após combaterem o fogo na Ceasa nesta terça-feira
João Vitor Costa/Agência O Globo
Júlio lembra que o foco do fogo ocorreu próximo aos cabos de energia elétrica. As versões inicias de funcionários da segurança da Ceasa são de que um curto-circuito teria sido a causa do incêndio.
— Houve três quedas de energia, a luz voltou muito rápido. Então todo mundo acredita que houve uma centelha ali e, da centelha, a desgraça — completa ele, confirmando que a loja perdeu todas as mercadorias. — É recomeçar do zero.
Procurada, a Light informa que "não há registro de interrupções no fornecimento de energia no local antes do incêndio", com o desarme "provocado pelo próprio incidente". Uma equipe da concessionária foi enviada até o local para normalizar o serviço. "A companhia reforça ainda que essa região apresenta altos índices de ligações clandestinas, prática que pode sobrecarregar a rede elétrica, provocando ocorrências como quedas de energia, incêndios e curtos-circuitos".
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Realocação de lojistas
Dez boxes foram interditados pela Defesa Civil municipal, mas não há risco de desabamento. Em nota, a administração da Ceasa afirma que já está adotando “medidas para mitigar os impactos aos afetados, incluindo a realocação de lojistas e trabalhadores, visando à continuidade das atividades e à mínima interrupção dos serviços prestados à população”. A central de abastecimento também está à disposição para esclarecimentos às autoridades.
Com exceção das lojas atingidas, a Ceasa segue funcionando normalmente. O posicionamento também pondera que “há algum tempo, melhorias contínuas no sistema de prevenção e combate a incêndios em todo o entreposto”, assim como realiza “orientações e fiscalizações periódicas junto aos permissionários, que estão cientes dos protocolos de segurança”.
‘Foi um desespero total’
Outra testemunha do incêndio é Roberto Cordeiro Lessa, motorista que presta serviço para a loja de frutas. Ele estava com sua van estacionada em frente ao estabelecimento, aguardando que o veículo fosse carregado, quando percebeu o problema.
— Primeiro, vi a gritaria dos carregadores: “Tá pegando fogo, tá pegando fogo”. Saí do carro e vi a labareda nas alturas. Foi um desespero total. Tinha uma carreta de abacaxi aqui, cheia de palha, precisaram tirar às pressas. Parecia que o fogo ia lamber tudo — relata Roberto.
O que se viu ao longo da manhã eram proprietários abalados pelo incêndio. Uma delas, que preferiu não gravar entrevista, chegou a chorar. A Polícia Civil abriu uma investigação, por meio da 27ª DP (Vicente de Carvalho), para esclarecer as causas do incêndio.
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