Receita Federal encontra cerca de R$ 500 mil em ampolas de tirzepatida contrabandeadas em potes de doce de leite; vídeo
A Receita Federal apreendeu, nesta quinta-feira, cerca de 2.545 ampolas de tirzepartida avaliadas em R$ 555 mil em um ônibus de turismo. Os medicamentos foram encontrados ocultos em potes de doce de leite e em diferentes compartimentos no interior do veículo.
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A tirzepatida é uma substância presente no Mounjaro, remédio injetável indicado para o controle do diabetes e da obesidade, com ação que auxilia na redução do apetite e no controle da glicemia, também conhecido como "caneta emagrecedora" devido aos efeitos colaterais.
A abordagem e apreensão do ônibus aconteceu em 19 de abril no posto da Polícia Rodoviária Federal em Santa Terezinha de Itaipu. O veículo seguiria para São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro.
Receita encontra cerca de R$ 500 mil em canetas emagrecedoras em potes de doce de leite
Dentro dos potes de doce de leite foram encontradas 545 ampolas de tirzepatida, além de mais 2 mil em compartimentos no interior do ônibus.
Aumento nas apreensões
No Brasil, as apreensões de canetas emagrecedoras se multiplicaram. Só este ano, ao menos 25.429 unidades, avaliadas em torno de R$10,4 milhões, já haviam sido apreendidas. A maioria em aeroportos e em centros logísticos de remessa, localizados no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Paraná. Em valores, as apreensões superam R$ 50 milhões desde 2024.
No período de maio a dezembro de 2025, a Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu apreendeu 8.630 unidades de medicamentos para emagrecer. Já no período de janeiro a 30 de abril de 2026, as apreensões totalizaram 59.027 unidades do mesmo tipo de medicamento, evidenciando um aumento expressivo em relação ao período anterior.
Canetas emagrecedoras foram encontradas em potes de doce de leite
Receita Federal
No passado, já foi botox, há os cigarros, tradicionais ou eletrônicos, e agora são os remédios para emagrecer que estão em alta. As organizações criminosas acrescentaram o contrabando de canetas ao seu rol de “negócios” devido ao grande potencial de lucro, já que a demanda é grande no país e o risco, se for pego, é baixo, dado o enquadramento penal.
O transporte ilegal já foi alvo de diversas operações da Receita, inclusive em parceria com a Polícia Federal.
— O que muda da caneta emagrecedora para, por exemplo, a droga, é a capacidade punitiva da nossa legislação, ou seja, o custo benefício. O benefício é alto, e o custo, se for pego, em termos penais é bem menor. Não é tráfico internacional de droga, é bem mais difícil de enquadrar — explica Felipe Mendes Moraes, coordenador-geral de administração aduaneira da Receita.
Além da preocupação em desarticular as quadrilhas, o crescimento da entrada irregular no país de medicamentos para diabetes e obesidade preocupa as autoridades do ponto de vista de saúde pública. Sem o regular armazenamento, o remédio na melhor das hipóteses pode perder o efeito, mas também pode fazer mal à saúde.
A importação irregular não tem comprovante de autenticidade ou avaliação de qualidade ou origem.
Os registros dos agentes da Receita mostram que as canetas, que precisam ser conservadas em baixas temperaturas, chegam ao país nas piores condições: dentro de bichinhos de pelúcia, de embalagens de creme, aparelhos de som de carro ou enroladas nos braços e pernas de “mulas” nos aeroportos.
— Os métodos de esconder são os mais variados. Nunca vai estar numa caixinha com gelo seco dentro de um isopor para que a pessoa seja parada. Existem diversos métodos e eles não levam em consideração a saúde de quem vai usar — destaca Mendes.
