Rebatendo Irã, Israel defende que não está em cessar-fogo no Líbano, mas em 'estado de guerra'
O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, afirmou que as forças israelenses continuam suas operações de combate no sul do Líbano. Contestando o Irã, ele defendeu que 'não estão em cessar-fogo' com o Hezbollah, mas sim 'em estado de guerra'.
Durante uma visita perto de Bint Jbeil, no sul do Líbano, Zamir declarou, segundo relatos da mídia israelense:
'As Forças de Defesa de Israel estão em estado de guerra; não estamos em cessar-fogo. Continuamos lutando aqui nesta área, que é nossa principal zona de combate. No Irã, porém, estamos em cessar-fogo e podemos retomar os combates a qualquer momento'.
O governo do Irã negou as notícias veiculadas por alguns veículos de comunicação dos Estados Unidos, incluindo o Wall Street Journal e o New York Times, de que a delegação iraniana teria chegado a Islamabad antes das negociações com os Estados Unidos.
Segundo uma autoridade informou para a agência de notícias estatal Tasnim, a notícia é 'completamente falsa'.
Destruição de Beirute, no Líbano, após ataque de Israel.
AFP
A mesma fonte, que preferiu não se identificar, enfatizou que 'enquanto os Estados Unidos não cumprirem seus compromissos com relação ao cessar-fogo no Líbano e o regime sionista continuar seus ataques, as negociações serão suspensas'.
A mesma posição já tinha sido expressa nessa quinta-feira (9) pelo regime de Teerã.
Isso também foi concordado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, segundo a agência de notícias estatal Tasnim. Ele disse que o Irã não participará de negociações no Paquistão nesta sexta-feira (10) a menos que o cessar-fogo seja respeitado 'em todas as frentes', incluindo o Líbano.
Ele afirmou que o governo paquistanês 'convidou ambas as partes a viajarem para Islamabad para realizar essas negociações, que estão atualmente em fase de revisão e planejamento'.
'No entanto, a realização dessas negociações está, sem dúvida, condicionada à obtenção de garantias de que os Estados Unidos honrarão suas obrigações de cessar-fogo em todas as frentes'.
Também acrescentou que, caso os EUA sejam contra o cessar-fogo no Líbano, estariam cometendo 'uma violação dos compromissos' firmados anteriormente.
Negociações previstas a partir desta sexta (10)
Prédio destruído em Teerã, capital do Irã, após ataque de Israel.
AFP
Em tese, representantes dos Estados Unidos e do Irã se reúnem a partir desta sexta-feira (10) no Paquistão para negociar o fim da guerra.
A chegada da comitiva americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance, no entanto, está prevista para sábado (11).
O governo paquistanês declarou feriado nesta sexta (10) e sábado (11) na capital para facilitar o deslocamento das comitivas, sob um forte protocolo de segurança.
O objetivo central do encontro é transformar o atual cessar-fogo temporário de duas semanas em um acordo de paz permanente. Mas apesar do agendamento do encontro, o governo iraniano ainda condiciona a participação efetiva nas conversas ao estabelecimento de um cessar-fogo também no Líbano.
Sob pressão do presidente Donald Trump, o governo de Israel anunciou que vai negociar um acordo de paz diretamente com o governo libanês, mas sem interromper a ofensiva.
Segundo a agência francesa AFP, o encontro entre representantes dos dois países está previsto para a semana que vem, em Washington.
Enquanto isso, Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo temporário por limitar o tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca.
BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
