'Realmente horrível': peregrina suíça que sobreviveu a deslizamento no Nepal diz ter sido salva por 'providência divina'

Fonte: Bandeira da fonte

Uma peregrina suíça escapou por pouco do deslizamento de terra que devastou parte da fronteira entre Nepal e China durante uma viagem espiritual ao monte Kailash, no Tibete.
A professora de ioga Natalia Rjumin-Girardet, de 70 anos, estava em um ônibus com outros oito peregrinos de diferentes nacionalidades quando uma enorme onda de água e lama atingiu a estrada às margens do rio Bhotekoshi.
Para ela, a sobrevivência foi resultado de uma “providência divina”.
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— De repente, vi o cozinheiro [do grupo] pular pela janela do ônibus.
Alguém abriu a porta e vi uma enorme montanha (...) entre a neblina — contou Rjumin-Girardet à AFP por telefone, de um hotel em Katmandu.
Pouco depois, ela percebeu que aquilo que parecia uma montanha era, na verdade, uma “enorme onda de água e lama”.

— Vi que todos começaram a correr, então também saí correndo — relatou, com a voz trêmula: — Acho que tivemos um minuto, talvez dois, para sair do ônibus.
Nascida na Rússia, a peregrina explicou que o grupo conseguiu escapar graças à existência de uma pequena escada de concreto ao lado do local onde o ônibus havia parado.
Depois de subir os degraus, eles correram encosta acima.
— Essas escadas nos salvaram — afirmou: — Tivemos uma sorte incrível.
'Foi realmente horrível'
Assim que percebeu que estava em segurança, Rjumin-Girardet se virou e viu a devastação provocada pela onda.

1 Vi como a onda carregava casas, carros e até ônibus — relatou: — Foi realmente horrível.
O hotel onde o grupo estava hospedado e toda a aldeia de Syabrubesi, onde os peregrinos haviam passado a noite, foram completamente destruídos.
Os integrantes do grupo estavam no Nepal durante uma peregrinação ao sagrado monte Kailash, na região tibetana da China.
Para eles, a sobrevivência foi um “milagre”.
— Foi a providência divina — afirmou Rjumin-Girardet: — Se tivéssemos chegado dois ou três minutos antes ou depois, talvez não tivéssemos tido a sorte de sobreviver.
Sobreviventes passaram a noite em um celeiro
Depois da inundação, os sobreviventes passaram a primeira noite amontoados em um pequeno celeiro no alto de uma colina, sob frio e chuva.
— Mal dormimos — lembrou a peregrina.
Na manhã seguinte, um helicóptero levou o grupo para uma área onde ficou sob os cuidados de militares.
Depois, os sobreviventes foram transferidos para Katmandu.
Enquanto isso, famílias de estrangeiros desaparecidos continuavam procurando informações na capital nepalesa.
Na entrada da sede da polícia turística de Katmandu, Sanjeev Rai vivia uma situação de incerteza angustiante.
O americano de 53 anos viajou ao Nepal depois de saber que sua esposa, Jiwan Jyoti, estava desaparecida enquanto retornava de uma peregrinação ao monte Kailash.
— No dia em que cheguei, disse: vamos procurar um helicóptero, vou atrás dela — contou Rai à AFP.
A aldeia de Timure, no distrito de Rasuwa, onde Jiwan estava quando ocorreu a catástrofe, continuava inacessível e perigosa.
— Estou desesperado, já se passaram muitos dias — afirmou.
Mais de 1.100 mortos
Segundo os números mais recentes citados no relato, as equipes de resgate recuperaram mais de 1.100 corpos, enquanto cerca de 4.500 pessoas continuavam desaparecidas após a gigantesca onda de água gelada, rochas e destroços provocada pelo desabamento de uma geleira em 26 de agosto.
As inundações se tornaram uma das catástrofes mais mortíferas a atingir o Nepal nos últimos anos.
Segundo a polícia nepalesa, cerca de 294 estrangeiros foram resgatados, a maioria cidadãos chineses e indianos.
Outros 583 estrangeiros continuavam desaparecidos, muitos deles peregrinos.