Rayssa Bratillieri:

Rayssa Bratillieri: 'A vida é mais preciosa que a fama e o sucesso'

Fonte: Bandeira da fonte

No ar em A Nobreza do Amor, a atriz Rayssa Bratillieri, de 28 anos, entrou na contagem regressiva para a estreia do filme Pecadora nos cinemas.
Protagonista do longa-metragem Pecadora, baseado no romance de Nana Pauvolih, ela afirma que curtir cada conquista profissional, sem ficar refém de sucessos.
"Não quero ficar esperando os aplausos.
Não quero ter uma carreira embasada nos fracassos e nos sucessos.
Não quero ser amada por estar no ar ou esquecida quando estiver fora do ar.
Celebro muito as minhas vitórias", afirma.
Ao conversar com Quem, ela fala ainda sobre a relação construída ao lado do namorado, o fotógrafo Anthony Garcia, que assina este ensaio, e por quem a atriz se derrete: "Sou muito apaixonada por ele.
Acho que não sabia o que era amor antes dele".
Morando no Rio de Janeiro desde 2014 e com trabalhos em tramas como Malhação - Vidas Brasileiras, Éramos Seis (2019) e Elas por Elas (2023), Rayssa também aprendeu a lidar com os nãos da profissão.
"Não tenho Q.I.
(‘quem indica’), não tenho artistas na família, vim do interior do Paraná.
Na minha terapia trabalho muito o aspecto de ter a necessidade de aprovação dos outros", afirma ela, contando que, recentemente, levou uma negativa ao fazer o teste para protagonizar a cinebiografia de uma cantora.
Embora a atriz não revele qual seria o projeto -- no cinema nacional, estão em produção dos filmes sobre a vida de Cássia Eller e de Marília Mendonça --, ela encara com serenidade os 'nãos' da carreira.
"Sou apaixonada pelo trabalho dessa cantora.
Enquanto me preparava para e teste, consegui mergulhar na vida dela, nas músicas dela.
Ressignificar a forma como eu vejo a carreira tem sido crucial para mim."
Quem: Como tem sido o trabalho em A Nobreza do Amor?
Rayssa Bratillieri: A Nobreza do Amor tem uma história muito importante.
Daqui a 30 anos, quando formos rever a novela, teremos uma grande trama para lembrar.
É uma novela que vai envelhecer bem.
Fazer parte disso é um presente.
Queria muito participar de um projeto com o Gustavo Fernandez, nosso diretor artístico, e toda a equipe.
O roteiro também é muito bom, com as palavras perfeitas.
Não sinto a necessidade de mudar nada.
Há um respiro no silêncio.
Fazer cinema é uma coisa, fazer novela é outra.
Fazer novela como se fosse cinema é ainda mais especial.
Para mim, é valioso como artista.
Em 'A Nobreza do Amor', Rayssa Bratillieri vive a jovem de origem libanesa Salma, filha de Fátima (Kika Kalache) e Miguel (Edu Mossri)
Estevam Avellar/TV Globo
A Nobreza do Amor tem qualidade para voltarmos a assistir daqui uns anos, ou seja, não é efêmero como uma dancinha de TikTok.
Muito pelo contrário! Acho que A Nobreza do Amor é daquelas novelas que tomam nosso coração, como Cordel Encantado e Chocolate com Pimenta.
O público mudou muito.
Ainda tentamos entender o que o público consome, mas uma criação artística não deve depender apenas do que o público quer consumir.
Assim, surgem as grandes revoluções.
Grandes obras foram feitas sem ser exatamente aquilo que o público queria.
É preciso criar novas histórias.
Como surgiu a chance de entrar para o elenco?
Passei por teste.
Minha vida é teste (risos).
No dia do teste, estava com o Pedro Peregrino, que já conhecia como diretor de Éramos Seis.
Quando saí do teste, tive uma sensação positiva.
Tem vezes que saio e falo “não rolou”.
Passar por testes é uma necessidade na profissão.
Como você lida com eles?
Com o passar do tempo, você passa a ter mais segurança e consciência da sua arte.
Tenho uma carreira embasada na necessidade do “sim” de alguém.
De alguma forma, isso mexe com a gente.
Por mais que você conheça o produtor de elenco ou o diretor, você continua precisando provar o seu trabalho.
Não tenho Q.I.
(‘quem indica’), não tenho artistas na família, vim do interior do Paraná.
Na minha terapia trabalho muito o aspecto de ter a necessidade de aprovação dos outros.
Se a ideia de felicidade e de realização for em cima do que os outros acham de você, não dá para ser feliz.
É como se eu ficasse dependendo da aprovação alheia para a minha felicidade.
Tenho trabalhado esse distanciamento.
Por exemplo, fiz teste para o papel de uma cantora.
Imaginei que não fosse passar.
Não passei e tudo bem.
Rayssa Bratillieri
Anthony Garcia
Fiquei curiosa para saber qual seria a cantora! Uma cantora pública? Ou um papel fictício?
Uma cantora famosa, um papel de protagonista.
Tinha certeza que não passaria porque não tenho nada a ver com o ritmo dela.
Ainda assim, tive a oportunidade de ser aquela cantora por dois dias da minha vida durante os testes.
Estou conseguindo ressignificar.
Sou apaixonada pelo trabalho dessa cantora e consegui mergulhar na vida dela, nas músicas dela, enquanto eu me preparava para o teste.
Ressignificar a forma como eu vejo a carreira tem sido crucial para mim.
Como é a sua relação com o universo musical?
Quando cheguei ao Rio de Janeiro, fiz vários musicais infantis, uns oito.
Peter Pan, Bela e a Fera… Não nasci com o dom de cantar.
Não tenho habilidade, nem vocação.
Acredito que você pode se aperfeiçoar em toda forma de arte.
Conseguiria me aperfeiçoar se necessário fosse, mas sei que não nasci com esse dom.
Você tem um projeto, o Foi Cena, com a Heslaine Vieira e o Daniel Rangel.
Como surgiu?
Ele surgiu por diferentes motivos.
O público está mudando e queremos entender esse novo público – onde está, o que faz, o que consome, onde dorme? Somos jovens e queremos acompanhar essa transição.
Chega uma fase da carreira em que a gente sente a necessidade de participar de outros processos, além da atuação, como dirigir, escrever, produzir.
Com o Foi Cena temos a oportunidade de escrever, apostar em um linguajar rápido, câmera na mão… Foi Cena tem sido um projeto importantíssimo na minha vida e acredito que vamos colher bons frutos.
Diego Cruz, Rayssa Bratillieri, Daniel Rangel e Heslaine Vieira estão no elenco de 'Foi Cena'
Divulgação
Você entrou para o meio artístico em uma fase de mudança no mercado.
O caminho de sucesso nunca foi linear, mas hoje não existe aquela rota que começava em Malhação com destino a um futuro papel de protagonista de novela das 9.
O que deseja para seu futuro profissional?
Quero voltar ao teatro.
Comecei minha carreira nos palcos.
Faço uma analogia com escalar montanhas.
Quando a gente chega ao topo de uma e enxerga outras, você percebe que precisa descer de uma para escalar novas.
Faço séries, novelas, filmes.
Tenho projeto no vertical e quero retornar ao teatro.
Não quero me limitar a nada.
Quero criar e fazer o que acredito – atuando, escrevendo, dirigindo, produzindo… Eu não vejo limites para mim.
Quando você projeta o futuro, é a curto prazo, como planos para 2027, ou a longo prazo?
Tenho várias Rayssas dentro de mim (risos).
É um pouco complexo.
Tenho uma Rayssa que pensa a longo prazo, a Rayssa mais sonhadora...
Cabe a mim definir qual vou escutar (risos).
Para você, quando veio a sensação que a vida deu certo?
Não vejo a vida como uma linha reta.
Somos seres complexos.
Já tive momentos de pensar "será que é isso que eu quero para minha vida?", mas sinto que tenho grandes feitos nesta minha trajetória de chegar sozinha ao Rio, buscar testes...
Tudo isso me faz ver que fui -- e ainda sou -- muito corajosa.
Consegui abrir caminhos porque também sou muito estudiosa.
Acho que é difícil falar "agora deu certo".
Ser artista é muito difícil.
No Brasil, ainda mais.
São poucas as pessoas que devem ter a certeza de que vão trabalhar apenas com arte para o resto da vida.

Rayssa Bratillieri
Anthony Garcia
Há uma sensação maior de realização por sabem que tem trilhado a carreira sem atalhos, sem um parente para te indicar a trabalhos?
Às vezes, não vou negar, passa pela cabeça um ‘se eu tivesse um pai…’.
Apesar de ser mais difícil, é muito gratificante.
Tudo o que eu construí foi porque passei por testes e me saí bem.
Você saiu do Paraná e já está no Rio desde 2014.
Hoje, quem são as pessoas que estão com você nos momentos em que precisa de um apoio?
Hoje, o Anthony é minha família.
Sou grata por tê-lo encontrado e tê-lo na minha vida.
Sou muito apaixonada por ele.
Aprendo a amar do lado dele.
Acho que não sabia o que era amor antes dele.
No Rio, tenho uma família de amigos.
Minha família, ainda que distante, está muito presente em orações e torcida.
Além disso, a minha terapeuta me ajuda muito.
Rayssa Bratillieri e o namorado, Anthony Garcia
Reprodução/Instagram
Quando você começou com a terapia?
Um pouquinho antes da pandemia.
Ao longo do caminho, troquei de terapia e atualmente tenho uma profissional que me ajuda muito.
Cuido muito de mim.
A primeira forma de amor é sabe olhar para si.
Tenho uma necessidade grande de melhorar e evoluir em todos os aspectos.
Também cuido muito da minha saúde física.
Estou sempre me movimentando, busco estar com as vitaminas em dia.
Além disso, a espiritualidade é meu ponto forte.
Ela faz de mim um ser humano melhor.
Ainda em 2026, além da novela, você tem as estreias da segunda temporada da série Amor da Minha Vida e do filme Pecadora.
Como estão as expectativas?
Evito criar expectativas.
Faço tudo com muito esmero.
Pecadora foi um trabalho feito em dois meses – um mês de preparação, um mês de filmagens.
O cinema é feito com pouco dinheiro, infelizmente.
Temos que fazer milagre.

Rayssa Bratillieri
Anthony Garcia
Seu desejo profissional era a TV, quando veio o interesse pelo cinema?
Ainda quando fazia Malhação, passei a prestigiar premières de festivais, você começa a conversar, participar de rodas de conversa.
Tive a sorte do meu primeiro filme ter sido rodado na China, falando em inglês e português, hospedada em um lugar que tinha uma cama maior que alguns cômodos de casa.
Também fiz Apaixonada e, agora, como protagonista de Pecadora.
Como imagina seu futuro?
Não quero ficar esperando os aplausos.
Não quero ter uma carreira embasada nos fracassos e nos sucessos.
Não quero ser refém de ser amada por estar no ar ou esquecida quando estiver fora do ar.
Conversando com grandes colegas de profissão, percebo que o sucesso pode ser corriqueiro.
Celebro muito as minhas vitórias, mas isso não faz com que eu seja melhor do que ninguém.
Não estaremos mais aqui daqui a 100 anos.
A vida é mais preciosa que a fama e o sucesso.

Rayssa Bratillieri
Anthony Garcia
Créditos
Beleza: Yago Maia
Assistente de beleza: Lais Régia
Stylist: Bruna Menezes