Rastro de sangue e coalização na política: quem é Tandera, o miliciano que sumiu sem deixar rastros após a morte do irmão
O miliciano Danilo Dias Lima, conhecido como Tandera, desapareceu há pelo menos quatro anos do radar das forças de segurança do Rio. Cercado de mistério, o sumiço de um dos criminosos mais procurados do estado segue sem respostas. Investigadores não sabem ao certo se ele está escondido, fora do país ou morto. O desaparecimento aconteceu pouco depois da morte do irmão, Delso Lima Neto, o Delsinho, apontado pela polícia como o segundo homem na hierarquia da organização criminosa que atuava na Baixada Fluminense, em 2022. Antes de sumir, Tandera deixou um rastro de sangue marcado por guerras territoriais e execuções.
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Aliados políticos
Antes de desaparecer do mapa, uma investigação da polícia revelou que os tentáculos de Tandera iam muito além do universo da milícia e incluíam uma “coalizão” com políticos da Baixada Fluminense. O plano era firmar alianças com pré-candidatos às prefeituras de Nova Iguaçu, Queimados e Seropédica nas eleições daquele ano.
“Enquanto a gente não alcançar o Legislativo, o Poder Judiciário, o Executivo, o ‘quarto poder’, a gente não vai conseguir nada”, disse ele na ocasião. Na reunião, explicou que o “quarto poder” era o Ministério Público.
A mesma investigação também revelou detalhes da crueldade empregada pelo grupo de Tandera. O inquérito reuniu registros que mostram integrantes da quadrilha envolvidos na execução de seis jovens. As imagens, consideradas de extrema violência, apontam um padrão de brutalidade que chocou os investigadores. Em um dos vídeos, o próprio miliciano aparece decapitando um dos jovens enquanto ele ainda estava vivo. Depois, os corpos eram enfileirados, com as cabeças colocadas entre as pernas das vítimas.
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'Oferta inesgotável para o trabalho criminoso'
Desaparecido, o espaço ocupado por Tandera não ficou vago por muito tempo. Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, preencheu rapidamente o vácuo de poder deixado pelo miliciano e passou a travar guerras para expandir seus territórios, repetindo a dinâmica de violência que marcou os grupos anteriores.
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— Embora sejam insubstituíveis do ponto de vista dos familiares, os criminosos acabam sendo rapidamente substituídos por uma oferta quase inesgotável de mão de obra disponível para o crime. Não faltam candidatos a assumir a posição de chefe de milícia ou de “dono do morro”. São cargos muito disputados dentro dessas organizações. Por isso, um ponto fundamental para interromper a reprodução desses grupos é seguir o dinheiro, compreender os esquemas de lavagem e confiscar os bens dessas organizações — explica Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF).
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