Rastro da namorada levou polícia até ‘El Mencho’ em esconderijo na serra de Jalisco, no México
A visita de uma namorada foi o elemento que permitiu às autoridades mexicanas localizar Nemesio Oseguera Cervantes, “El Mencho”, considerado o narcotraficante mais procurado do mundo. Segundo o ministro de Defesa Nacional do México, Ricardo Trevilla, o rastreamento da mulher levou as forças de segurança até cabanas na serra de Jalisco, onde o líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) estava escondido com cerca de uma dezena de escoltas. Ele foi morto na madrugada de domingo durante uma operação das forças especiais do Exército mexicano.
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De acordo com Trevilla, os serviços de inteligência identificaram um homem de confiança da mulher responsável por levá-la até Tapalpa, uma localidade serrana de aproximadamente 20 mil habitantes no interior de Jalisco. A movimentação foi monitorada, e, em 20 de fevereiro, houve a confirmação de que a parceira de Oseguera estava sendo transportada para o local, disse Trevilla, destacando a complexidade do trabalho de inteligência e o tempo necessário para identificar as pessoas e os locais.
— Ela se reuniu com o Mencho e, em 21 de fevereiro, deixou o imóvel. Obtivemos informação de que o Mencho permanecia ali com um círculo de segurança — relatou o general, ressaltando que o processo de inteligência foi conduzido principalmente pelo Exército mexicano, com “informação complementar” fornecida pelos Estados Unidos. — Houve muita informação adicional que nos foi dada pelos EUA, que, integrada ao que já tínhamos, permitiu chegar à localização exata.
Com a confirmação da presença de Oseguera nas cabanas nos arredores de Tapalpa, as forças especiais se prepararam por terra e por ar. Seis helicópteros foram posicionados em estados próximos “para manter o sigilo e garantir o fator surpresa”. Já na madrugada de domingo, os militares se deslocaram a pé ao redor do imóvel, com apoio de duas aeronaves, iniciando o cerco com o objetivo de efetuar a prisão.
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Durante a operação, integrantes do círculo de segurança de Oseguera abriram fogo contra os militares, no que o ministro definiu como “um ataque muito violento por parte do crime organizado”. Oito supostos criminosos morreram no local. Oseguera fugiu a pé com quatro colaboradores, foi localizado escondido na vegetação e houve novo confronto. No fogo cruzado, ele e dois escoltas ficaram gravemente feridos. Segundo o Exército, os três morreram no transporte aéreo.
Nas cabanas, os militares apreenderam sete armas longas, dois lançadores de foguetes, oito veículos e dois utilitários off-road (modelo RZR). Um dos lançadores era do mesmo tipo usado em 2015 para derrubar um helicóptero na primeira operação que tentou capturar Oseguera. Dois militares ficaram feridos na ação. Outros dois integrantes do CJNG foram detidos ilesos durante a perseguição na mata.
— Fortalecemos nossa relação com o Comando Norte dos Estados Unidos — disse Trevilla, emocionado, ao homenagear os militares mortos no domingo. Os Estados Unidos ofereciam recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de Oseguera.
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Represália de cartel
A reação do cartel foi imediata. No domingo, foram registrados 252 bloqueios em rodovias de 20 dos 32 estados do país, com incêndio de veículos e ataques a estabelecimentos comerciais. Estados suspenderam aulas e convocaram gabinetes de segurança. Em Jalisco, o crime organizado matou 25 integrantes da Guarda Nacional, um agente penitenciário, um integrante da Promotoria estadual e uma civil. Do outro lado, 30 supostos membros do cartel morreram. Em Michoacán, 15 militares ficaram feridos e quatro supostos sicários foram mortos.
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Um dos principais operadores logísticos e financeiros do CJNG, Hugo César Macías, conhecido como “El Tuli”, organizou bloqueios e ações violentas a partir de El Grullo. Segundo Trevilla, eram oferecidos 20 mil pesos (cerca de R$ 5,9 mil) por cada militar morto pelo cartel. Ele tentou fugir de carro e acabou morto. Com ele, foram encontrados quase US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) e 7,2 milhões de pesos (R$ 2,1 milhões).
Ao todo, os confrontos relacionados à operação deixaram ao menos 72 mortos, sendo 45 ligados ao crime organizado, 26 integrantes das forças de segurança e uma civil. A presidente Claudia Sheinbaum afirmou ter sido informada “muito cedo” sobre a operação e determinou a instalação de uma mesa de comando com todas as forças de segurança. Segundo ela, não houve presença de tropas americanas em solo mexicano, embora tenha havido cooperação em inteligência.
— Todas as operações, desde o planejamento, são de responsabilidade das forças federais mexicanas — disse a presidente.
Grupos armados atacaram instalações militares inclusive em Tamaulipas, estado do Golfo do México e área estratégica na fronteira com os EUA. Também houve ataques a lojas de conveniência, agências de bancos estatais e postos de gasolina. Aeroportos foram fechados em diversas cidades. No estado de Guanajuato, território-chave para o cartel por causa de esquemas de contrabando de combustível, autoridades locais determinaram o fechamento de escolas e universidades nesta segunda-feira. As autoridades informaram que os bloqueios foram removidos e que os voos para Jalisco devem ser normalizados nos próximos dias.
