Randolfe alega irregularidades e solicita revisão de sessão da CPI do INSS que aprovou quebra de sigilo de filho de Lula
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou nesta quinta-feira que vai recorrer ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a anulação da sessão da CPI do INSS por irregularidade na aprovação dos requerimentos, em sessão realizada nesta quinta-feira. Entre os pedidos aprovados está a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Em um ato golpista e desonesto, eles fraudaram o resultado. Quatorze parlamentares estavam em pé (contra a quebra de sigilo) — disse Randolfe ao informar que pedirá anulação da votação.
Os governistas afirmaram ainda que vão apresentar uma representação no Conselho de Ética contra o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Após a divulgação do resultado, contudo, iniciou-se uma confusão no colegiado, com protesto de parlamentares governistas pela forma como a votação ocorreu, de forma simbólica — em que os votos de cada um não são computados individualmente.
A CPI aprovou um pacote de requerimentos que inclui ainda a quebra de sigilo de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Além deles, passaram pedidos de prisão, novas convocações e solicitações de informações a órgãos públicos e empresas investigadas. Ao todo, mais de 80 requerimentos foram colocados em votação e, por decisão do colegiado, apreciados de uma só vez em bloco.
CPI do INSS tem confusão após votação sobre filho de Lula
Viana declarou que quem era contra o pacote de requerimentos teria que se levantar. Ele, então, contou sete parlamentares de um quórum de 31. E anunciou a aprovação dos itens da pauta, que incluía a quebra do sigilo de Fábio Luis, de uma empresária amiga dele, de uma ex-publicitária do PT e do ex-sócio do Banco Master.
Os deputados Rogério Correia (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e Alencar Santana (PT-SP) estavam entre os que foram para cima da mesa onde estava Viana cobrá-lo uma verificação dos votos. Aos gritos, disseram que o presidente da CPI havia dado um golpe e sido desonesto na contagem. Segundo a base do governo, 14 parlamentares haviam se levantado — e Viana não os havia contado — o que deu a vitória para a oposição.
Assim que a reunião foi retomada, Pimenta pediu para que a votação fosse anulada "por erro material da contagem".
— Vamos interpretar como uma ação deliberada do senhor para fraudar a votação. Diante desse fato, iremos até o presidente do Senado para solicitar a anulação da votação que teve aqui — disse ele.
O pedido, contudo, foi rejeitado por Viana, que argumentou que a votação simbólica é prevista no regimento interno da Casa.
A comissão apura a cobrança irregular de mensalidades associativas em milhões de benefícios previdenciários, o que, segundo os parlamentares, alimentaria um esquema envolvendo entidades de fachada, consultorias e bancos com atuação no crédito consignado.
O pedido de quebra de sigilo do filho de Lula — apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL) — foi justificado pela suspeita de que ele teria atuado como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, considerado um dos operadores centrais das fraudes.
A aprovação dos requerimentos desencadeou nova disputa política dentro da comissão. O líder governista na CPI, Paulo Pimenta (PT-RS), criticou a definição da pauta e afirmou que a oposição “blindou seus aliados”. Ele citou a ausência da convocação de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e doador das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
A CPI vive dias tensos desde o adiamento da oitiva de Daniel Vorcaro, marcada para segunda-feira (23). No lugar do banqueiro, os parlamentares ouviram a empresária Ingrid Pikinskeni, esposa de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador financeiro da Conafer. Ingrid negou envolvimento em irregularidades, mas deixou a sessão chorando após passar mal, levando à suspensão do depoimento.
