Ramagem será deportado? Entenda situação do ex-deputado após prisão nos EUA

 

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O ex-deputado federal Alexandre Ramagem pode ser deportado após ser preso nos Estados Unidos, mas o desfecho do caso ainda depende de decisões da Justiça americana e de trâmites diplomáticos entre os dois países.

Especialistas ouvidos pela CBN apontam dois caminhos possíveis. O primeiro é a deportação, caso seja confirmada alguma irregularidade migratória — procedimento que costuma ser mais rápido e administrativo. O segundo é a extradição, solicitada pelo Brasil com base na condenação criminal, o que envolve análise judicial e tende a ser mais demorado. “Deportação trata de migração; extradição trata de crime”, explica o advogado Vinícius Bicalho.

Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Orlando, na Flórida, e levado a um centro de detenção. A prisão foi confirmada pela Polícia Federal, que afirma que a ação decorre de cooperação internacional com autoridades norte-americanas.

Segundo a PF, ele é considerado foragido da Justiça brasileira após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Alexandre Ramagem fugiu do Brasil de forma clandestina; relembre

Fuga do Brasil

Antes de ser preso, Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina, em setembro de 2025, segundo investigações. Ele atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana sem passar por controle migratório e, em seguida, embarcou em Georgetown rumo aos Estados Unidos.

A Polícia Federal aponta que ele entrou no país com passaporte diplomático, mesmo após determinação para o cancelamento do documento.

A fuga ocorreu no mesmo período em que o STF condenou integrantes do núcleo central da trama golpista. Ex-diretor-geral da Abin, Ramagem foi sentenciado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe.

Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição já havia sido formalmente encaminhado ao governo dos Estados Unidos. A documentação foi enviada pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado norte-americano no fim de 2025.

O ministro Alexandre de Moraes também determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista de difusão da Interpol, abrindo caminho para sua detenção no exterior. Aliados do ex-deputado afirmavam ainda que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos.

Mesmo fora do país, Ramagem sofreu sanções administrativas e políticas: a Câmara dos Deputados cancelou seu passaporte diplomático após a cassação do mandato e, por determinação do STF, bloqueou seus vencimentos parlamentares.