‘Rainha da cetamina’: Traficante que vendeu dose mortal a estrela de 'Friends' é condenada a 15 anos de prisão
Jasveen Sangha, conhecida como “Rainha da cetamina”, foi condenada nesta quarta-feira a 15 anos de prisão após se declarar culpada por vender a dose fatal da droga ao ator Matthew Perry. Promotores federais defendiam que ela cumprisse tal pena por seu papel na morte do artista e de outra pessoa, citando o “alcance amplo da ilegalidade da ré [e] sua resposta insensível às mortes que ajudou a causar”.
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"Sangha operou um negócio de tráfico de drogas de alto volume a partir de sua residência em North Hollywood", escreveram os promotores. "Para cultivar seu negócio, se apresentava como uma traficante exclusiva que atendia a uma clientela de alto nível em Hollywood. Enquanto trabalhava para expandir e lucrar com seu tráfico de drogas, ela sabia — e ignorava — o grave dano que sua conduta estava causando."
Perry morreu aos 54 anos, em outubro de 2023, e autoridades concluíram que o anestésico cetamina foi a principal causa da morte. O ator, famoso por interpretar Chandler Bing na série “Friends”, enfrentava há anos problemas com dependência química e utilizava a substância de forma legal no tratamento da depressão. Após ter o fornecimento negado por seu médico, passou a buscar a droga por meios ilegais.
Ao todo, cinco pessoas foram acusadas no caso: os médicos Salvador Plasencia e Mark Chavez; o assistente pessoal do ator, Kenneth Iwamasa; o intermediário Erik Fleming; e Sangha. Embora os médicos não tenham fornecido a dose que matou Perry, um juiz afirmou que eles contribuíram para colocá-lo “no caminho da morte” ao “continuar alimentando seu vício em cetamina”.
Sangha, de 42 anos, admitiu ter fornecido cerca de 50 frascos ao ator antes de sua morte, com Fleming atuando como intermediário. Em acordo judicial, ela também confessou que distribuía drogas, incluindo cetamina e metanfetamina, de sua casa em North Hollywood desde 2019. Segundo os promotores, ela vendeu cetamina a Cody McLaury, que morreu pouco após adquirir a substância no mesmo ano, e continuou traficando mesmo após saber das mortes.
“As ações da ré demonstram uma frieza e desprezo pela vida. Ela escolheu lucros em vez de pessoas, e suas ações causaram imensa dor às famílias e entes queridos das vítimas”, afirmaram os promotores em documentos judiciais.
A acusação também destacou que Sangha teve formação privilegiada, frequentou uma “universidade respeitada” e obteve mestrado, optando pelo tráfico por “ganância, glamour e acesso”.
Sangha, que tem dupla cidadania americana e britânica e está sob custódia federal desde 2024, mandou recado para a família do ator. “Não há desculpas para o que fiz. Sinto profundamente pela dor que causei, especialmente à família de Matthew”, declarou.
Segundo a investigação, o assistente Kenneth Iwamasa aplicou repetidas injeções de cetamina em Perry, inclusive em 28 de outubro de 2023, quando administrou ao menos três doses que levaram à morte do ator. Após o ocorrido, Sangha orientou Fleming a “apagar todas as nossas mensagens”.
Outros envolvidos já foram condenados: Plasencia recebeu pena de 30 meses de prisão, enquanto Chavez foi condenado a oito meses de detenção domiciliar e três anos de liberdade supervisionada. Iwamasa e Fleming ainda aguardam sentença, prevista para este mês.
