Rahra leva a revenda de prata porta a porta a uma rede nacional de franquias

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Fonte da notícia: Valor Valor

Em 1988, Dona Solange começou como revendedora, vendendo prata de porta em porta em Pará de Minas, no Sul de Minas. Trinta e oito anos depois, o negócio nascido dessa revenda é a Rahra, rede de semijoias com cerca de 60 lojas e presença nacional, construída em etapas: primeiro o atacado, depois o varejo e, por fim, a expansão por franquias. A sequência explica boa parte do modelo atual. A primeira loja da marca foi de atacado, e só depois a empresa passou a atender diretamente o consumidor final. A abertura de unidades franqueadas veio na fase seguinte, quando a operação já tinha estrutura para replicar o formato de loja em outras praças. Minas Gerais segue como a base mais forte da rede, e a estratégia agora é ampliar a presença em outros estados. "Crescemos no atacado antes de chegar ao varejo, e isso nos deu uma disciplina muito grande com produto, preço e giro. Quando começamos a expandir por franquias, essa base já estava pronta para ser levada a outras cidades", afirma Jonathas Coelho, CEO da Rahra. A origem na venda direta também segue presente na operação. Além das lojas, a Rahra mantém um canal de revenda, com um espaço exclusivo que oferece suporte, capacitação e ferramentas às revendedoras. Na prática, a marca combina três frentes de distribuição: revenda, lojas franqueadas e e-commerce. A empresa continua familiar. Dona Solange segue como fundadora e referência da marca, Jonathas responde pela frente de negócios e o irmão, Thomas, é diretor de produto. A divisão aparece na forma como a rede organizou sua cadeia produtiva. Parte das peças é desenvolvida a partir de curadoria feita na China, onde a Rahra mantém uma profissional dedicada a acompanhar tendências de moda e encurtar o intervalo entre o que surge no exterior e o que chega às lojas brasileiras. O banho das semijoias é feito no Brasil, em galvânica própria em Limeira (SP), sem terceirização. O controle desse processo sustenta o principal argumento comercial da marca, uma garantia de até 10 anos, que varia conforme a peça. Quanto maior a quantidade de ouro aplicada, maior o prazo, e o desgaste coberto pela garantia é resolvido com a troca por uma peça nova. "Ter a galvânica dentro de casa é o que nos permite assumir esse compromisso com a cliente. Sabemos exatamente como cada peça foi banhada, então conseguimos responder por ela durante anos", diz Jonathas. Nos últimos meses, a marca também passou a investir em diferenciação de produto. Desde janeiro de 2026, cada campanha traz um look completo de design autoral, exclusivo da Rahra. O portfólio inclui peças em prata, semijoias banhadas a ouro e uma linha de berloques em aço, que ganhou uma parceria de licenciamento com a Warner Bros. A coleção de Tom e Jerry chegou às lojas em junho, e a de Looney Tunes, em agosto. O posicionamento que a empresa busca fica no espaço entre a joalheria e a bijuteria: uma semijoia de qualidade premium, com preço acessível e apelo de moda. As lojas seguem um projeto próprio, com escada rosa, painel com imagens de mulheres dos anos 1980 e escrivaninha com aparadores, em uma atmosfera retrô e contemporânea que se afasta do formato tradicional de loja do segmento. Para os próximos meses, a rede prevê duas inaugurações em Fortaleza e coloca o digital no centro da estratégia. O e-commerce, em fase de expansão, já reúne mais de 10 mil clientes. "A loja física construiu a nossa história, e agora o desafio é fazer com que a força da marca no balcão também apareça no digital. Expandir para novos estados e crescer no online são movimentos que andam juntos", afirma Jonathas.

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