Pré-candidato à Presidência, o ex-governador Romeu Zema (Novo) propõe o "investimento" de R$ 1 mil para cada recém-nascido no país, além de propostas para desestimular beneficiários do Bolsa Família a se manterem ligados ao programa. Na disputa pelos votos dos eleitores de direita, o ex-mandatário mineiro também defendeu a criação de um regime alternativo à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), baseado na livre negociação entre o empregador e o trabalhador. Disputa presidencial: Michelle deve gravar para horário eleitoral de Flávio nesta semana e começa campanha no DF com agendas fechadas 'Gabinete do ódio': Raquel Lyra registra BO por receber Pix após vídeo de IA em que pede dinheiro a eleitores No plano de governo, divulgado na semana passada e denominado como "implacável" pela campanha, Zema prevê a criação do programa "Sócios do Brasil", que consiste na realização de depósitos de R$ 1 mil "para cada brasileiro ao nascer". A proposta também sugere que o valor seja "aplicado em fundos de ações" cujo saque será permitido apenas aos 18 anos, com o objetivo de "estimular desde cedo a formação de patrimônio e educação financeira".
O ex-governador também sugere a facilitação da portabilidade do crédito com o uso do Open Finance "para que o cliente possa comparar propostas com maior facilidade e levar suas dívidas para bancos com juros menores". Também no campo econômico, Zema propõe a privatização de todas as empresas estatais para "reduzir o espaço para escândalos de corrupção e garantir maior eficiência no uso dos recursos públicos e mais competição na economia brasileira".
Além disso, o presidenciável também defende uma nova reforma da previdência, que, diferente do texto aprovado em 2019, incluiu militares e os trabalhadores rurais, tradicionalmente submetidos a regras diferentes. A proposta também inclui um mecanismo permanente de reajuste automático da idade mínima para a aposentadoria com base no aumento da expectativa de vida.
Crítico ao Bolsa Família, o ex-governador afirma que, caso eleito, mudará as regras de permanência no programa, exigindo que maiores de idade aptos a trabalharem permaneçam como beneficiários somente se estiverem empregados, matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou cursando qualificação profissional. A proposição também sugere que o benefício será suspenso se o indivíduo recusar, sem justificativa, ofertas de trabalho oferecidas pelo poder público. O documento pontua, no entanto, que a regra não deverá ser aplicada a responsáveis pelo cuidado de crianças, idosos ou pessoas com deficiência. O documento também prevê o pagamento de um bônus de R$ 5 mil às famílias que se desligarem voluntariamente do programa. Inspirado no modelo de "superencarceramento" implementado pelo presidente Nayib Bukele em El Salvador, Zema sugere a construção de "presídios de segurança máxima, em regiões remotas e isoladas, com um regime diferenciado de detenção e estrutura capaz de conter terroristas e isolar os membros das facções". Ele também defende a redução da maioridade penal para 16 anos e a autorização, excepcionalmente, de pessoas ainda mais novas em casos de crimes considerados graves, como homicídio e estupro, ou reincidentes. O ex-governador também recomenda a criação de travas para a exclusão de perfis nas redes sociais pelas plataformas, prevendo a substituição dessa medida por "procedimentos administrativos e judiciais que garantam direito à retratação e indenização". Já na política externa, ele sugere a retirada do Brasil do Brics e o abandono de "alinhamentos ideológicos, orientando cada iniciativa por seu retorno de mercadorias, investimentos e tecnologia".
O Globo