A vitória de Lula (PT) na eleição presidencial de 2026 provocou uma onda de reconhecimentos internacionais neste domingo e na manhã desta segunda-feira, mas dois nomes se destacaram pelo silêncio: Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina. O resultado foi proclamado pelo TSE às 21h08 de domingo, com 51,79% dos votos válidos para Lula e 48,21% para Flávio Bolsonaro.
América Latina: até adversários reconheceram O reconhecimento mais simbólico veio de líderes de direita da região.
José Antonio Kast, do Chile, ligou para Lula e citou integração econômica e combate ao crime organizado. Keiko Fujimori, do Peru, Santiago Peña, do Paraguai, e Daniel Noboa, do Equador, também cumprimentaram o presidente brasileiro.
Claudia Sheinbaum, do México, escreveu: “Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil”. Yamandú Orsi, do Uruguai, telefonou e chamou Lula de amigo.
Miguel Díaz-Canel, de Cuba, falou em vitória histórica. Ainda na região, se manifestaram os presidentes do Panamá, José Raúl Mulino; da Bolívia, Rodrigo Paz; da República Dominicana, Luis Abinader; da Guatemala, Bernardo Arévalo; e da Guiana, Irfaan Ali.
Europa, Ásia e África Emmanuel Macron convidou Lula a fortalecer a parceria estratégica entre França e Brasil.
Pedro Sánchez, da Espanha, disse que “a volta do progressismo global acabou de começar”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”.
Portugal se manifestou pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa e pelo primeiro-ministro Luís Montenegro. Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, de lados opostos da guerra na Ucrânia, enviaram cumprimentos.
Narendra Modi, da Índia, chamou Lula de “meu caro amigo”. Cyril Ramaphosa, da África do Sul, classificou o resultado como vitória do Sul Global.
O governo da China se pronunciou por seu porta-voz, Guo Jiakun. Também reconheceram o resultado os governos da Coreia do Sul, do Irã e de Moçambique, além da Organização dos Estados Americanos.
O silêncio dos Estados Unidos Até a manhã desta segunda-feira, nem Trump nem a Casa Branca haviam cumprimentado Lula.
O silêncio quebra uma tradição de mais de duas décadas: em 2002, 2014, 2018 e 2022, Washington reconheceu rapidamente o vencedor. Em 2022, Joe Biden parabenizou Lula antes mesmo de Jair Bolsonaro admitir a derrota.
Trump apoiou a chapa de Flávio Bolsonaro, recebeu Flávio e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca e designou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Analistas ouvidos pela imprensa, como Christopher Sabatini, do Chatham House, e Anthony Pereira, da Universidade Tulane, atribuem o silêncio à frustração política com a interrupção da onda de direita na América Latina.
Nos Estados Unidos, democratas celebraram o resultado — entre eles Bernie Sanders, Joaquín Castro, Ro Khanna e Gavin Newsom. Do lado republicano, Donald Trump Jr.
e outros aliados questionaram a eleição. A Argentina de Milei, que apoiou Flávio abertamente, também não se manifestou até a manhã desta segunda-feira.
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