Quem mais estimula no bastidor a atuação de Toffoli no caso Master
A defesa pública feita pelo decano do STF, ministro Gilmar Mendes, do seu colega Dias Toffoli é a faceta visível de um movimento que tem outros personagens importantes no bastidores, com destaque para o ministro Alexandre de Moraes. O GLOBO apurou que ele tem estimulado Toffoli a manter a condução do processo, a despeito das críticas crescentes na opinião pública.
Para além do corporativismo que já ficara evidente no tom da nota da semana passada do presidente do STF, Edson Fachin, a lógica por trás das ações de Moraes e Mendes é que um recuo de Toffoli agora significaria abrir a porta para movimentos que enfraqueceriam o Supremo mais amplamente. O risco de um processo de impeachment é algo que entrou no radar da Corte e entende-se que, se essa linha for cruzada, todos os ministros passariam a ficar mais expostos a ataques políticos.
Vale lembrar, porém, que outro flanco de críticas ao STF tem sido exatamente o contrato do escritório da esposa de Moraes com o banco que foi liquidado, que, se fosse todo pago, chegaria a quase R$ 130 milhões em três anos.
Por outro lado, conforme já foi noticiado pela repórter do GLOBO Mariana Muniz, há movimentos dentro do Supremo para uma solução política que apazigue o ânimos. Isso passaria pela conclusão dessa primeira fase de inquérito pela Polícia Federal e depois o envio do tema de volta à primeira instância, ou pelo menos um desmembramento, deixando no STF apenas aquilo que envolver personagens com prerrogativa de foro. A subida do processo ao Supremo ocorreu pela menção ao deputado João Carlos Bacelar(PL-BA).
Em seu depoimento à Polícia Federal no fim do ano, Daniel Vorcaro não fez citações mais relevantes a políticos, à exceção do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, com quem disse ter conversado sobre a proposta de compra do Master pelo BRB.
A condução do processo do Master por Toffoli tem se notabilizado por decisões controversas, como a acareação entre o diretor do Banco Central, Ailton Aquino, e Vorcaro, que acabou não ocorrendo, e a determinação de guarda dos materiais apreendidos pela PF no STF, também revogada após pressão da opinião pública.
Essas idas e vindas também devem ser vistas como um sinal de que, diferentemente de Moraes e Mendes, Toffoli não teria a mesma força política para aguentar uma pressão ainda maior do que a atual. O ministro, que foi indicado ao STF no segundo mandato de Lula, tem sido criticado nos bastidores pelo Planalto por conta de sua atuação no caso, conforme O GLOBO noticiou recentemente.
