Quem ganhou nos Estados Unidos? Mulheres, negros, indígenas, latinos, muçulmanos e LGBTQIA+ fazem história nas eleições

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Fonte da notícia: Valor Valor

As eleições de meio de mandato, as midterms, realizadas nesta terça-feira (3) nos Estados Unidos, foram marcadas por uma série de conquistas históricas de representatividade. Eleitores escolheram nomes que romperam barreiras de raça, gênero, origem e orientação sexual, incluindo a primeira mulher negra eleita governadora de um estado, a primeira mulher indígena a assumir um governo estadual e o primeiro homem abertamente gay a conquistar uma vaga no Senado americano.

Os resultados também ampliaram a presença de políticos negros e indígenas em cargos de destaque. Além das vitórias na Geórgia, no Novo México e na Flórida, eleições no Texas e em Wisconsin estabeleceram novos marcos.

No Senado, a democrata Peggy Flanagan se tornou a primeira mulher indígena a conquistar uma cadeira na Casa, enquanto Abdul El-Sayed pode se tornar o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, a depender da conclusão da apuração em Michigan. Embora a maior parte das conquistas tenha sido de candidatos democratas, o Partido Republicano também teve vitórias inéditas, como a eleição de Byron Donalds para o governo da Flórida.

Os resultados refletem uma ampliação da diversidade na representação política americana, em um pleito que também foi marcado pelo avanço democrata e pela retomada do controle do Congresso pelo partido. Deb Haaland: primeira mulher indígena eleita governadora

A democrata Deb Haaland venceu a disputa pelo governo do Novo México e se tornou a primeira mulher indígena eleita governadora nos Estados Unidos. Integrante da comunidade Laguna Pueblo, Haaland já havia feito história em 2018, quando foi uma das duas primeiras mulheres indígenas eleitas para a Câmara dos Representantes.

Durante o governo de Joe Biden, também se tornou a primeira pessoa indígena a comandar o Departamento do Interior, responsável por temas relacionados às terras e aos recursos naturais do país. Peggy Flanagan

Reprodução/Instagram @peggyflanagan Peggy Flanagan: primeira mulher indígena no Senado

A democrata Peggy Flanagan, vice-governadora de Minnesota, venceu a disputa pelo Senado e se tornou a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira na Casa. Integrante da White Earth Band of Ojibwe, ela derrotou a republicana Michele Tafoya, ex-repórter de campo da NFL.

Keisha Lance Bottoms Reprodução/Instagram @keishabottoms

Keisha Lance Bottoms: primeira mulher negra a governar um estado A democrata Keisha Lance Bottoms venceu a eleição para o governo da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora nos Estados Unidos.

Aos 56 anos, ela também será a primeira governadora negra do estado e a primeira democrata a conquistar o cargo em mais de 25 anos. Ex-prefeita de Atlanta, Bottoms derrotou o republicano Rick Jackson, empresário bilionário.

A vitória tem peso simbólico na Geórgia, estado marcado pela escravidão, pela segregação racial e pela luta pelos direitos civis. Até então, todos os 83 governadores da região haviam sido homens brancos.

Byron Donalds: primeiro governador negro da Flórida O republicano Byron Donalds venceu a disputa pelo governo da Flórida e se tornou o primeiro homem negro a ocupar o cargo na história do estado.

Deputado federal, Donalds derrotou o democrata David Jolly e manteve o controle republicano sobre o governo estadual, ocupado pelo partido desde 1999. Ainda que não altere a continuidade do domínio republicano no cargo, sua eleição representa uma mudança histórica na composição racial do Executivo da Flórida,

Chris Pappas Reprodução/Instagram @repchrispappas

Chris Pappas: primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado O democrata Chris Pappas venceu a disputa pelo Senado por New Hampshire e se tornou o primeiro homem abertamente gay eleito para a Casa.

Aos 46 anos, ele é deputado federal desde 2018 e copresidente do Grupo Parlamentar pela Igualdade do Congresso. Pappas derrotou o ex-senador republicano John Sununu.

Durante a campanha, afirmou que não concorria para fazer história, mas também celebrou o fato de sua orientação sexual não ter sido um tema central entre os eleitores. Gina Hinojosa

Reprodução/Instagram @ginafortexas Gina Hinojosa: primeira governadora latina do Texas

A democrata Gina Hinojosa venceu a disputa pelo governo do Texas e se tornou a primeira mulher latina eleita para comandar o estado. Aos 52 anos, ela derrotou o governador republicano Greg Abbott, que buscava um quarto mandato.

A vitória também interrompeu mais de 30 anos de domínio republicano em eleições para cargos estaduais no Texas. A conquista representa um marco para a representação latina em um dos estados mais populosos dos Estados Unidos.

David Crowley Reprodução/Instagram @crowleyforwi

David Crowley: primeiro governador negro de Wisconsin O democrata David Crowley venceu a eleição para o governo de Wisconsin e se tornou o primeiro homem negro a ocupar o cargo em 178 anos de história do estado.

Aos 40 anos, ele era executivo do condado de Milwaukee, o mais populoso de Wisconsin. Em 2020, já havia se tornado o primeiro homem negro eleito para comandar o condado e também o mais jovem a assumir a função.

Na eleição estadual, derrotou o republicano Tom Tiffany. Abdul El-Sayed: primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos

O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, venceu o republicano Mike Rogers em Michigan e se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos. Médico, filho de imigrantes egípcios e integrante da ala progressista do Partido Democrata, El-Sayed nasceu nos arredores de Detroit e ganhou projeção nacional durante a campanha, também por ser alvo de ataques e questionamentos sobre sua religião.

Formado em medicina pela Universidade Columbia e doutor em saúde pública pela Universidade de Oxford, foi professor de epidemiologia e dirigiu o Departamento de Saúde de Detroit. Em 2018, já havia tentado disputar o governo de Michigan, mas perdeu as primárias democratas.

Sua eleição também representa uma virada do Partido Democrata no estado, que não elegia um senador democrata havia mais de 30 anos.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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