Quem foi Virginia Giuffre, a americana que denunciou Andrew no caso Epstein; ex-príncipe é preso

 

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A prisão do príncipe Andrew e a decisão do Palácio de Buckingham de iniciar um processo formal para retirada de seus títulos e honrarias reacenderam o debate em torno das acusações ligadas ao caso Epstein. Em meio às repercussões, a família de Virginia Giuffre, americana que o acusou de abuso sexual, declarou que sua coragem “derrubou um príncipe”.

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Em comunicado enviado à BBC, parentes de Giuffre afirmaram que “uma americana comum, vinda de uma família americana comum, derrubou um príncipe britânico, com sua verdade e sua coragem extraordinária”. Andrew, que sempre negou as acusações, firmou um acordo extrajudicial com ela sem admitir culpa e se afastou das funções oficiais da monarquia.

Além da retirada dos títulos, o Palácio informou que Andrew passará a ser conhecido como Andrew Mountbatten Windsor e foi notificado a deixar a Royal Lodge, residência ligada à realeza, para se mudar a um imóvel privado.

A mulher que enfrentou figuras poderosas

Virginia Giuffre tornou-se uma das principais denunciantes do escândalo envolvendo o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto na prisão em 2019. Ela também acusou Ghislaine Maxwell, posteriormente condenada por tráfico de menores.

Em ação civil, Giuffre afirmou que foi abusada sexualmente por Andrew em 2001, quando tinha 17 anos, em encontros que teriam ocorrido em Londres, Nova York e nas Ilhas Virgens, supostamente intermediados por Epstein e Maxwell. O caso se tornou um dos mais emblemáticos do escândalo, ao envolver diretamente um membro da família real britânica, filho da rainha Elizabeth II.

O processo foi encerrado após um acordo multimilionário firmado em 2022, sem reconhecimento de culpa por parte do príncipe. Anos antes, em 2009, Giuffre havia celebrado um acordo com Epstein no qual se comprometia a não processar outros “réus em potencial” em troca de US$ 500 mil, ponto que chegou a ser debatido judicialmente.

Giuffre morreu em abril de 2025, na Austrália, onde vivia. Meses antes, havia sido hospitalizada após um grave acidente de carro e relatado nas redes sociais que enfrentava insuficiência renal. A família informou que sua morte foi consequência de danos psicológicos profundos associados a anos de abuso e exploração sexual.

“Não há palavras que possam expressar a profunda perda que sentimos”, afirmou o comunicado divulgado pelos parentes. Para eles, a trajetória de Virginia consolidou-se como símbolo de enfrentamento a figuras poderosas e de pressão por responsabilização em um dos maiores escândalos sexuais das últimas décadas.