Governador do Piauí e liderança jovem do PT, Rafael Fonteles, de 41 anos, ganhou projeção nacional ao assumir papel central na reorganização da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Ele foi o responsável por dar um telefone de presente ao petista de 80 anos que, até então, não tinha celular.
Com um telefone na mão do presidente que almejava o quarto mandato e outros esforços na comunicação, a campanha mudou de rumo e alcançou uma virada nunca antes vista no período da redemocratização. Fonteles, que tem experiência na área econômica, já é apontado como principal cotado para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual quarto mandato de Lula, segundo a colunista do GLOBO Bela Megale.
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Formado em matemática, Fonteles comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí entre janeiro de 2015 e março de 2022, durante o governo de Wellington Dias. Eleito governador em 2022, foi reeleito em primeiro turno com cerca de 70% dos votos válidos no estado.
À frente do governo estadual, também assumiu a presidência do Consórcio Nordeste, que reúne os nove estados da região. A relação com Lula ganhou destaque na campanha presidencial.
Após o resultado do primeiro turno, Fonteles passou a atuar na comunicação do candidato petista, principalmente na preparação para os debates. O governador também participou da mobilização digital da campanha.
Ele presenteou Lula com um celular para que o presidente pudesse entrar no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A iniciativa se tornou um dos símbolos da tentativa de ampliar a presença do candidato do PT nas redes sociais.
Antes da corrida política deste ano, Fonteles defendeu que o PT assumisse uma posição mais firme na defesa do governo e apoiou a política econômica do então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista ao GLOBO, em 2025. Ele também pregou a aproximação com partidos de centro e centro-direita para ampliar a base de apoio ao presidente.
Na ocasião, atribuiu parte da queda de popularidade de Lula à inflação dos alimentos e defendeu o fortalecimento da equipe econômica e a responsabilidade fiscal. Segundo a colunista Bela Megale, Fonteles já admitiu a pessoas próximas que há possibilidade de assumir o cargo de ministro da Fazenda.
Caso receba e aceite o convite, teria de deixar o governo do Piauí, que passaria ao vice-governador Washington Bandeira, seu aliado e amigo desde os tempos de escola. Ontem, após a vitória de Lula, Fonteles foi às redes mostrar a festa na Avenida Paulista, ao lado do presidente reeleito.
Antes do resultado, durante a apuração, fez publicações nos stories do Instagram já cravando a vitória de Lula, mesmo com uma porcentagem baixa das urnas apuradas. Sendo fiel à sua formação, comemorou muito quando, "matemáticamente", Lula não poderia mais ser ultrapassado por Flávio Bolsonaro.
Nos vídeos, ao lado de Fonteles, o presidente reconheceu a importância do Piauí na virada: "Obrigado, Piauí! Outra vez, o Piauí me deu um título de campeão". O estado foi a unidade federativa com a maior distância entre Flávio e Lula no segundo turno.
O Globo