Quem é o novo marqueteiro de Flávio Bosonaro: sociedade com Roberto Justos e slogan

Quem é o novo marqueteiro de Flávio Bosonaro: sociedade com Roberto Justos e slogan 'a número 1'

 

Fonte: Bandeira



O publicitário Eduardo Fischer irá assumir o comando da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, em meio à crise causada pela revelação da relação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro. A troca foi sacramentada ontem, com a saída do marqueteiro Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”. Fischer é considerado um dos maiores nomes da propaganda no país.

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O publicitário integra o "Hall da Fama" da Academia Brasileira de Marketing e, segundo a instituição, é responsável por alguns dos "maiores cases de marketing" das últimas décadas no país. Entre as principais campanhas está "A número 1", para a cervejaria Brahma, que se tornou um dos grandes slogans da empresa após a Copa do Mundo de 1994.

Fischer foi eleito por cinco vezes o "Publicitário do Ano" no Brasil. Ainda em 1996, foi escolhido Publicitário Latino-Americano pela Associação Latino-Americana de Agências de Publicidade (ALAP). Ele também conquistou mais de 700 outros prêmios dentro e fora do país e, em 2010, entrou para o "Hall of Fame" do Festival Iberoamericano de la Publicidad (FIAP), o mais importante reconhecimento da região.

O publicitário participou de comissões e eventos internacionais relevantes, como o "Rio +20 The Future We Want", da Organização das Nações Unidas (ONU). Atualmente, ele é presidente do Grupo Fischer, voltado para comunicação, propaganda, entretenimento, marketing e promoção de eventos.

O empresário também teve sociedade com o apresentador e empresário Roberto Justus no mercado publicitário, numa parceria que ajudou a consolidar seu nome entre os principais executivos da comunicação brasileira nos anos 1990 e 2000.

Apesar do sucesso no ramo comercial, Fischer só participou da campanha política do ex-deputado federal Álvaro Dias, em 2018, quando concorreu à Presidência pelo partido Podemos. Na disputa, o candidato conseguiu somente 0,8% dos votos.

Pressão interna

O anúncio oficial da mudança veio na noite de quarta-feira, embora já circulasse antes a intenção de uma ala do grupo responsável por alçar o senador ao Palácio do Planalto de trocar a equipe de comunicação da pré-campanha por insatisfações que se agravaram com o que descreveram como uma falta de habilidade na condução da maior crise enfrentada pelo presidenciável até agora.

“O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar”, afirmou Marcellão no comunicado.

Apesar da insatisfação com o jeito com que o marqueteiro lidou com a repercussão negativa na imagem de Flávio do caso Master, uma ala do entorno do senador já demonstrava incômodo com a atuação de Marcellão meses antes das revelações envolvendo Vorcaro.

Nos bastidores, integrantes da pré-campanha afirmam que o senador acabou sendo levado “a reboque” do noticiário, demorando para responder a temas que, na avaliação de aliados, deveriam ter sido tratados antes mesmo de ele aceitar entrar oficialmente na corrida presidencial.

A avaliação de parte da coordenação da pré-campanha é que faltou uma estratégia mais agressiva de comunicação para conter a crise logo nas primeiras horas após a divulgação dos áudios e documentos pelo Intercept Brasil. A leitura interna, nesse sentido, é que Flávio demorou a se posicionar publicamente e acabou transmitindo insegurança política ao mudar versões sobre o alcance de sua relação com Vorcaro. Segundo aliados, um marketeiro mais experiente, nesse momento, é fundamental.

'Irmão, estarei contigo sempre'

O desgaste foi iniciado com a revelação de áudios pelo site Intercept Brasil, em que Flávio cobra a Vorcaro o dinheiro que teria sido combinado para patrocinar um filme sobre Jair. A conversa ocorreu em setembro de 2025:

— Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme — diz o senador, em aúdio enviado ao banqueiro.

Outro contato também foi feito dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.

"Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!", escreveu Flávio.

Como mostrou o GLOBO, parlamentares e empresas ligadas ao projeto passaram a apresentar explicações divergentes sobre a origem dos recursos, os contratos firmados e a estrutura usada para operacionalizar os pagamentos. A sequência de declarações levou a Polícia Federal (PF) a aprofundar apurações sobre o destino do dinheiro.

A principal linha de investigação tenta esclarecer se os valores enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e gerido por advogado de Eduardo Bolsonaro, foram usados exclusivamente na produção do filme ou se também ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.

Visita a Vorcaro

Vorcaro foi preso preventivamente em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, quando embarcava para Dubai em um jatinho particular. Ele foi autorizado a ficar em regime domiciliar em 29 de novembro, após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Na ocasião, ele passou a usar tornozeleira eletrônica e foi proibido de ter contato com outros investigado, mas as demais visitas estavam liberadas.

Em 4 de março, porém, o banqueiro foi novamente preso, por ordem do ministro André Mendonça, do STF, após as investigações apontarem tentativa de obstrução de Justiça por parte de um grupo ligado a Vorcaro. A visita de Flávio a Vorcaro, em São Paulo, ocorreu antes da segunda prisão:

— Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele — disse Flávio. — Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco.

(Colaboraram Letícia Pille e Luísa Marzullo)