Quem é Nicole Silveira? Brasileira do skeleton pode dar medalha inédita ao Brasil em Olimpíadas de Inverno

 

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Se alguém dissesse que uma menina de Rio Grande (RS), que cresceu jogando futebol, praticando ginástica, rugby e levantamento de peso, viraria destaque mundial num esporte disputado de bruços num trenó a mais de 140 km/h, pareceria -- além de específico demais -- roteiro de ficção. Mas essa é a história de Nicole Silveira, hoje o principal nome do Brasil no skeleton e candidata real à medalha nas Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026.

Aos 31 anos, a brasileira vive o melhor momento da carreira. Chega aos Jogos com passagem pelo top-10 do ranking mundial, dona de medalhas em etapas da Copa do Mundo e com um quarto lugar em Campeonato Mundial no currículo — marcas inéditas para o país na modalidade. Dentro da delegação, é tratada como uma das maiores esperanças de pódio ao lado do suíço-brasileiro, Lucas Pinheiro, do esqui slalom.

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Em coletiva, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), Emilio Strapasson, afirmou que Nicole “está entre as favoritas”, com chances reais de top 6 — e até medalha.

Como foi parar no skeleton?

Nicole Rocha Silveira nasceu em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, e se mudou ainda criança — aos sete anos — para Calgary, no Canadá. Foi lá que construiu uma vida ligada ao esporte e também à área da saúde, trabalhando como enfermeira.

Antes do gelo, passou por várias modalidades: futebol, ginástica, rugby, levantamento de peso e fisiculturismo. A virada veio em 2017, quando recebeu um convite para fazer testes no bobsled pela seleção brasileira. A experiência serviu de porta de entrada para o skeleton.

Mesmo sem conseguir classificação para os Jogos de Inverno de 2018, decidiu continuar. Nos primeiros anos, foi ela quem financiou a própria carreira com o trabalho na enfermagem.

Mas o progresso veio rápido. Primeiro, medalhas na Copa América. Depois, top 10 em etapas de Copa do Mundo. E, assim, logo bateu na porta da elite do circuito internacional.

Principais resultados da Nicole

Primeira atleta do Brasil a conquistar medalha em etapa de Copa do Mundo de uma modalidade do programa olímpico de inverno, a Nicole soma hoje três bronzes no circuito:

Bronze na etapa de PyeongChang da Copa do Mundo (2024)

Bronze em St. Moritz na Copa do Mundo (2025)

Bronze em St. Moritz na Copa do Mundo (2026)

Além disso, ela também foi:

4ª colocada no Campeonato Mundial de 2025 — melhor resultado da história do Brasil em um Mundial de esportes de inverno

6ª colocda geral na Copa do Mundo 2024/2025

9ª colocada geral na Copa do Mundo 2025/2026

Campeã pan-americana

Top-10 do ranking mundial

Na Olimpíada de Inverno de Pequim 2022, terminou em 13º lugar, registrando o segundo melhor resultado da história do Brasil em Jogos de Inverno, atrás apenas do 9º lugar de Isabel Clark no snowboard cross, em 2006.

Mas afinal, o que é skeleton?

Fique tranquilo. Apesar do nome sugestivo, o esporte pouco tem a ver com monstros ou brincadeiras de Halloween -- o que não significa que quem pratique não tome seus sustos. Na verdade, o skeleton é uma das modalidades mais rápidas e técnicas dos esportes de inverno. Nele, o atleta desce uma pista de gelo deitado de bruços, com a cabeça voltada para frente, em cima de um trenó compacto. Só ele e o infinito -- sem airbag.

Vamos a um rápido raio-x:

A largada é feita correndo e empurrando o trenó;

Depois, o competidor se lança de peito no equipamento, feito um pinguim;

O controle é feito com ajustes sutis de ombros, joelhos e pés;

As velocidades podem passar de 140 km/h — Nicole já atingiu 144,2 km/h em treino;

As pistas têm em geral de 1.200 a 1.600 metros e até 20 curvas;

Ganha quem tiver o menor tempo total na soma de duas das quatro descidas.

Em Milão-Cortina 2026, as disputas do skeleton feminino acontecem nos dias:

13 de fevereiro — descidas 1 e 2 (classificatória para as finais)

14 de fevereiro — descidas 3 e 4