Quem é Jessica Foster? 'Musa patriótica' viraliza na web e faz homens suspirarem, mas não existe
Cada postagem de Jessica Foster recebia uma enxurrada de comentários com variações de "Linda", inclusive de brasileiros, acompanhados de muitos emojis de coração.
Ela parecia ser "importante". No primeiro dia de ataques coordenados por EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, a bela loura do Exército foi fotografada ao lado de Donald Trump na pista de um aeroporto.
Mas, afinal, quem seria Jessica? A resposta é simples: uma ilusão feita por inteligência artificial (IA).
A musa patriótica, que sintetiza o que seguidores de Trump fantasiam, não existe. Não há registro público do serviço militar de Jessica, e a conta, apesar de não ser identificada como de IA, está repleta de indícios de falsificação. O primeiro vídeo de Jessica, publicado no Dia de Ação de Graças, mostrava a mulher de olhos azuis sentada sob uma bandeira americana, vestindo uma blusa justa, com legenda pedindo comentários de todos os "homens héteros que gostam de uma garota do Exército americano".
A popular Jessica Foster não passa de um produto de IA
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Jessica Foster durante descanso em base militar dos EUA: IA
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Nos meses seguintes, dezenas de fotos e vídeos foram postados pela "beldade da caserna". Nelas, Jessica aparece com a primeira-dama Melania Trump, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o líder russo, Vladimir Putin, e até Lionel Messi. Suas postagens batem 100 mil comentários, contou reportagem no "Washington Post". O registro mais impressionante mostra a loura segurando o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado por forças especiais dos EUA no início de janeiro.
Jessica Foster com Donald Trump e Vladimir Putin: IA
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Jessica com Melania e Maduro: IA
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Jessica Foster com Donald Trump e Volodymyr Zelensky: IA
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Além de exibir sorrisos cativantes, a militar fake fez piadas obscenas, discursou e participou de guerras de travesseiros com suas companheiras de farda. "O melhor emprego do mundo", dizia a legenda de um vídeo do mês passado mostrando Jessica de capacete e colete tático.
A fórmula com viés ideológico tem se repetido: patriotismo misturado com sensualidade para cativar a atenção na web. Não à toa, Jessica costuma postar fotos que destacam os seus pés.
Ao aplicar elementos políticos e eventos atuais às vidas falsas dessas personagens, os criadores esperam maximizar a sua viralização e se destacar na multidão online, disse Sam Gregory, que pesquisa deepfakes (técnica de síntese de imagens ou sons humanos baseada em técnicas de IA). Alguns perfis levam o internauta a outra página, onde fotos exclusivas podem ser acessadas mediante pagamento.
"Há inúmeras mulheres bonitas, reais e fictícias, online, mas ter uma tão próxima do poder, presente nos grandes eventos do dia, tem um prestígio diferente", afirmou ele.
Jessica Foster com amigas de Exército dos EUA: IA
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Os indícios de personagem fake são muitos. Cada hora, a militar aparece com uma farda diferente. No uniforme a identificação varia: às vezes Foster (o correto na caserna), outras vezes Jessica. Numa publicação, na qual ela aparece segurando Maduro como refém, seu uniforme exibe seu primeiro nome onde deveria constar o sobrenome. A graduação parece não se manter, alterando entre sargento, cadete e general. Eventos também são distorcidos. Numa foto, ela aparece discursando na "Conferência da Fronteira da Paz", uma versão malfeita do novo Conselho de Paz de Trump. Apesar disso, muitos parecem não acreditar no óbvio e ainda insistem que Jessica responda os seus comentários apaixonados.
Jessica estava na crista da onda: recentemente, a sargento foi "vista" num navio no Estreito de Ormuz, palco de tensões bélicas entre EUA e Irã. Ao que parece, o seu criador pretendia transformá-la numa espécie de Rambo 2.0, uma versão sexy com belos olhos azuis, cabelos louros ao vento e sede de proteger o país. O inimigo agora é outro. A página foi derrubada do Instagram, mas geralmente Jessicas não desistem facilmente.
