Quem é James Talarico, candidato ao Senado que quer quebrar 38 anos de domínio republicano no Texas

Quem é James Talarico, candidato ao Senado que quer quebrar 38 anos de domínio republicano no Texas - Foto
Fonte da notícia: Gazeta do Povo (Mundo) Gazeta do Povo (Mundo)

James Talarico, candidato democrata ao Senado americano, tem uma escrita a quebrar na eleição de 3 de novembro: a última vez que o Texas, o estado que ele busca representar na câmara alta dos Estados Unidos, elegeu um senador que não era do Partido Republicano foi em 1988 – ano anterior ao seu nascimento.

Apesar de o estado sulista ser um “red state” – ou seja, um estado onde a legenda do presidente Donald Trump costuma ganhar eleições sempre –, Talarico tem liderado as pesquisas para vencer o candidato republicano, o procurador-geral do Texas, Ken Paxton. A cadeira texana em disputa (a outra, ocupada por Ted Cruz, terá eleição apenas em 2030) é considerada um dos assentos decisivos para determinar se o partido de Trump manterá sua maioria no Congresso nas midterms deste ano, quando estarão em jogo as 435 cadeiras da Câmara federal e 35 dos cem assentos no Senado.

James Dell Talarico foi professor de inglês no ensino fundamental e diretor executivo de uma organização sem fins lucrativos voltada para a educação, é seminarista presbiteriano e desde 2018 é deputado estadual no Texas. Suas origens e prática cristãs – seu avô materno, Jimmy Causey, foi um pregador batista em igrejas no sul do Texas – parecem torná-lo mais palatável ao eleitorado conservador texano.

Porém, sua posição pró-aborto gera incômodo no estado. Em uma roda de conversa com eleitores promovida pela emissora CNN este mês, uma texana católica a confrontou sobre o tema.

“Nós dois somos cristãos, e a Bíblia não fala da questão do aborto”, respondeu Talarico. “Isso significa que ambos precisamos analisar diferentes passagens bíblicas para tentar chegar a uma conclusão.

Mas acredito que podemos, sim, unir esforços para reduzir o número de gestações não planejadas e o número de abortos.” A eleitora contestou Talarico e disse que um dos Dez Mandamentos é “não matarás”.

Talarico respondeu que “não há problema em chegarmos a conclusões diferentes sobre esse assunto”. Talarico já propôs legalizar o uso recreativo da maconha no Texas, medida que não emplacou no seu estado, mas planeja tentar em Washington.

Na campanha para o Senado, ele também defende revogar cortes de impostos para o 1% mais rico da população americana e fim dos incentivos fiscais para construção de novos data centers. Em política externa, ele se manifestou contra a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

A respeito da guerra na Faixa de Gaza, o democrata disse que “Israel tem o direito de defender seu povo”. “Mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não tem o direito de bombardear civis, restringir a ajuda humanitária ou utilizar a fome forçada e a punição coletiva como táticas”, acusou.

Sobre o Irã, Talarico disse que é necessário impedir que o regime persa “obtenha uma arma nuclear — [mas] sem mais uma guerra interminável”. Porém, o democrata tem adotado posturas mais ao centro para atrair votos.

Em recente entrevista à Fox News, ele se disse contra a participação de atletas transgênero em esportes femininos “caso isso comprometa a segurança ou a justiça [nas competições]”. A respeito das mudanças climáticas, ele defende “todas as opções” de energia, inclusive a indústria de petróleo e gás, criticada pelos democratas.

“Esses são alguns dos melhores empregos que se pode conseguir, e eles garantem o sustento de famílias inteiras”, afirmou Talarico em entrevista ao cantor Bobby Pulido, democrata que concorre a uma vaga na Câmara americana nas midterms deste ano. “A ideia de que políticos em Washington acham que podem simplesmente eliminar esse setor, eliminar esses empregos — é algo contra o que teremos de lutar, algo contra o que teremos de lutar até mesmo dentro do nosso próprio partido”, afirmou.

Pela importância da cadeira do Texas que está sendo disputada nas midterms deste ano, Trump colocou o candidato democrata na mira. Depois de ter manifestado estranheza com o fato de Talarico ter se ausentado da campanha durante mais de uma semana este mês (devido a uma gripe, segundo o candidato), Trump escreveu na rede Truth Social que “James Talafreako é um lunático radical de esquerda e vegano que é a antítese dos valores do Texas” – fazendo um trocadilho com o sobrenome do democrata e a palavra “freak”, aberração em inglês, e ecoando o argumento dos republicanos de que a postura mais centrada de Talarico durante a campanha seria apenas fachada.

No evento na CNN este mês, o democrata minimizou os comentários dos republicanos sobre ele. “Teorias da conspiração não colocam comida na mesa”, disse Talarico.

Uma dificuldade que Trump enfrenta para emplacar Ken Paxton é a resistência de setores do próprio Partido Republicano, em meio a controvérsias envolvendo o procurador-geral do Texas. Paxton foi acusado de fraude em valores mobiliários por supostamente omitir que receberia remuneração para promover ações de uma empresa de tecnologia.

Ele negou as acusações e classificou o caso como perseguição política. Em 2024, chegou a um acordo que prevê o encerramento das acusações criminais estaduais mediante o cumprimento de determinadas condições, sem confissão de culpa.

O republicano também foi acusado por ex-assessores de usar o cargo para favorecer o empresário e doador de campanha Nate Paul, inclusive em investigações relacionadas a seus negócios. Paxton negou irregularidades, chamou os denunciantes de funcionários insubordinados e foi absolvido em 2023 pelo Senado estadual no julgamento de impeachment baseado em acusações de abuso de poder e suspeita de suborno.

Em 2025, o Departamento de Justiça decidiu não apresentar acusações criminais na investigação federal relacionada ao caso. Mais recentemente, a atuação de seu gabinete em um caso de abuso sexual infantil em Waco também provocou críticas.

A equipe de Paxton argumentou que o julgamento terminou sem consenso entre os jurados e que a vítima não queria depor novamente. O acordo inicial previa apenas um dia de prisão, mas o juiz impôs uma pena de 60 dias.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Publicação Original Gazeta do Povo (Mundo) gazetadopovo.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →