Ivo Kos, preso em flagrante no sábado (15) por suspeita de ter agredido a mulher, tem um histórico extenso no mercado financeiro.
Sócio-fundador da Virgo, Kos esteve na companhia até outubro de 2025, quando a securitizadora foi comprada pela Riza Holding e passou a se chamar Riza Sec.
A aquisição se deu após uma crise provocada pelo uso indevido de fundos de reserva de certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA).
O caso foi investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que abriu um processo sancionador contra Kos e outros três executivos em abril deste ano.
Segundo umas das denúncias apresentadas à CVM, a movimentação irregular teria alcançado, pelo menos, R$ 216 milhões e envolvido cerca de 76 títulos.
A área técnica que investigou os episódios concluiu que ocorreram seis infrações, como a realização de operações fraudulentas, falta de diligência e abuso de poder por parte do controlador.
No parecer da área técnica da CVM que analisou o caso, foram reproduzidas conversas por WhatsApp entre Kos e os ex-diretores e mostra que, quando os clientes começaram a exigir a devolução dos valores retirados dos fundos de reserva, a Virgo montou um esquema semelhante a uma pirâmide.
A empresa honrava os pedidos retirando recursos de outros fundos de reserva.
Depois da venda da Virgo, Kos permaneceu no quadro de sócios da Virgo Holding, hoje Felk Participações, e da Virgo Soluções Financeiras que, em novembro de 2025, mudou a denominação para a 18 ib Capital, conforme mostrou o Valor em fevereiro.
Neste ano, Everaldo Oliveira, que chegou a assumir a presidência da Virgo por um período de 2025 e foi sócio da Felk, fez uma publicação em rede social comemorando o nascimento da 18ib, plataforma de Investment Banking, Asset e Wealth Management, e se apresenta como fundador e diretor-presidente (CEO).
Procurado na época, Oliveira disse que tratava-se de um novo projeto e que “Ivo Vel Kos não exerce, não exerceu e não exercerá qualquer participação societária ou funcional, direta ou indireta, não integrando quadros societários, comitês administrativos, decisórios ou operacionais”.
Na mesma rede social, Kos informou, há cerca de seis meses, que seria investidor privado no setor bancário sem dar mais detalhes.
Segundo fontes próximas, ele teria relação direta com a 18ib, chegando a buscar recursos para a companhia diretamente com pessoas do mercado.
Na última semana, Koss fez uma publicação no Instagram informando que voltaria a trabalhar, após sete meses afastados por motivos médicos.
“Não presto mais serviços fiduciários! Focar no que eu amo fazer e me considero bom! Originar, estruturar e distribuir deals! DCM, ECM Imobiliário, crédito, agro, distressed, legal claims, precatórios, special sits, toda e qualquer intermediação devido ao meu network.”
Ele também criticou quem considerava seu nome como “tóxico” e disse que só pedia oportunidade de poder trabalhar e provar seu valor.
“Sinto pena de quem acha meu nome tóxico ou que tenho tuberculose, lepra, covid, peste bubônica...
São pessoas que não sabem o que passei e simplesmente julgam o livro pela capa e não conhecem 30 anos da minha história profissional!”, afirmou.
Agressões
Antes mesmo do episódio que culminou na prisão de Kos, Giullia Falcão Kos já havia denunciado ameaças do marido, segundo fontes.
Em um vídeo publicado no início deste ano em uma rede social, ela afirmou que todas as vezes em que tentava sair da relação era ameaçada.
“É uma pessoa completamente desequilibrada e eu não sei mais o que fazer”, afirmou.
Eles são casados há dois anos e meio.
No sábado, Giulia voltou às redes sociais mostrando ferimentos no rosto.
“Essa é a situação que o meu marido me deixou, essa é a situação.
Um dedo quebrado, meu rosto todo deformado.
Esse é o homem sério de negócios, a família séria que vocês conhecem.
Acabou o silêncio, chega”, afirmou.
Segundo o G1, Giulia relatou no boletim de ocorrência que as agressões começaram após uma discussão entre o casal durante o retorno para casa, por volta das 23h.
Ivo teria desferido socos contra seu rosto e seu corpo ainda dentro do carro.
Ainda segundo o relato registrado no BO, ao chegar próximo à residência, em Pinheiros, Giulia tentou sair do veículo e pedir ajuda.
Ela afirmou que Ivo continuou a agredi-la com um taco de beisebol e que utilizou uma arma de choque para ameaçá-la.
Kos foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva.
Procurada, a defesa dele disse que não irá se manifestar no momento “em respeito a ambas as famílias”.
A Riza Sec disse, em nota, que desde a conclusão da aquisição da Virgo, Ivo Kos não detém qualquer participação societária, cargo, função, mandato ou vínculo de qualquer natureza com a Riza Securitizadora.
“Com a mudança de controle, houve a substituição integral do quadro societário, da administração e do conselho da companhia.
A Riza Securitizadora vem sendo conduzida, desde então, sob padrões de governança, controles internos e compliance alinhados às melhores práticas do mercado”, afirmou.
Ivo Kos, co-fundador da Virgo
Silvia Zamboni/Valor
