Quem é Adilsinho, bicheiro e alvo de investigações sobre cigarro ilegal, preso pela PF
Preso nesta quinta-feira em Cabo Frio, na Região dos Lagos, Adilson Coutinho Oliveira Filho, o Adilsinho, é apontado pelas autoridades como um dos principais nomes da cúpula do jogo do bicho no Rio e como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado. Considerado por investigadores como herdeiro da contravenção na Baixada Fluminense, ele construiu sua trajetória a partir da exploração do jogo ilegal e, nos últimos anos, ampliou sua atuação para o comércio clandestino de cigarros. Contra Adilsinho, havia cinco mandados de prisão preventiva: quatro por homicídio e um por organização criminosa.
Entenda a prisão: Adilsinho, contraventor apontado como chefe da máfia do cigarro, é preso pela PF e Polícia Civil do Rio
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Adilsinho, contraventor apontado como chefe da máfia do cigarro, é preso
Quatro mortes em 2022
O motivo dos mandados por homicídios são quatro mortes ocorridas em 2022. A primeira é a de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, numa academia de musculação: para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), a motivação foi a disputa territorial por pontos de jogo de bicho e máquinas caça-níqueis.
Suspeito de comandar uma milícia, Catiri era braço direito de Bernardo Bello, ex-marido de Tamara Garcia, filha do bicheiro Maninho. Na academia, Alex Sandro José da Silva, o Sandrinho, também foi morto.
Além dos dois, outra morte atribuída a Adilsinho é a de Fabrício Alves Martins de Oliveira, que estaria ligada à máfia do cigarro. Fabrício estava num posto de gasolina em Campo Grande quando foi atacado por um grupo de aritadores. Sócio de Fabrício, Fábio Alamar Leite foi morto dois dias depois, quando saía justamente do enterro de Fabrício, no Cemitério de Inhaúma.
A festa no Copacabana Palace
Forma estruturada
Segundo apurações das forças de segurança, o grupo ao qual ele é ligado atua de forma estruturada, com divisão de funções, domínio territorial e uso de violência para assegurar a venda exclusiva dos produtos, especialmente em áreas da Região Metropolitana.
De acordo com as investigações, Adilsinho teria papel central na engrenagem financeira da organização criminosa, sendo responsável por articular fornecedores, operadores logísticos e distribuidores. A estrutura, ainda segundo os investigadores, incluiria centros de armazenamento e rotas próprias de escoamento da mercadoria, permitindo a venda de cigarros falsificados a preços abaixo do mercado formal. O esquema envolveria ainda a imposição de condições a comerciantes, com controle sobre pontos estratégicos de venda.
As apurações indicam que o grupo é suspeito de atuar de forma armada, com uso de intimidação para consolidar presença em determinadas regiões. Relatórios de investigação apontam que a organização exerceria domínio territorial para garantir a circulação da mercadoria e restringir a concorrência. O modelo de funcionamento descrito pelas autoridades inclui hierarquia interna definida, operadores responsáveis pela distribuição e intermediários encarregados de recolher valores e repassar aos líderes.
Além da atuação na contravenção e no comércio ilegal de cigarros, Adilsinho é investigado por suposto envolvimento como mandante de homicídios e é citado em inquéritos que apuram disputas relacionadas ao controle de áreas e pontos ligados ao jogo do bicho. Ele também é apontado como integrante de uma organização criminosa com ramificações fora do estado do Rio, com indícios de conexões interestaduais.
Ao longo dos últimos anos, o nome de Adilsinho passou a figurar com frequência em investigações que apuram crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e delitos tributários associados à comercialização de produtos clandestinos. Em relatórios policiais, ele é descrito como peça central na coordenação das atividades do grupo, com influência direta na tomada de decisões estratégicas.
As investigações que o envolvem apontam que a expansão do comércio ilegal de cigarros teria ocorrido paralelamente ao fortalecimento de sua posição dentro da contravenção. A suspeita é de que os recursos obtidos com a venda clandestina tenham sido reinvestidos na ampliação da estrutura logística e na consolidação de alianças dentro do próprio universo do jogo do bicho.
Com a prisão, Adilsinho passa a responder aos mandados judiciais que estavam em aberto. Ele é citado pelas forças de segurança como um dos principais alvos em ações voltadas ao combate à exploração do jogo ilegal e à cadeia de produção e distribuição de cigarros falsificados no estado.
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