Quem deve substituir Ali Khamenei? Conheça os cotados a assumir o controle do Irã após morte de aiatolá
Antes de as bombas americanas e israelenses começarem a cair no sábado, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, o centro autoritário do regime teocrático por quase 40 anos, havia planejado uma transição de poder em caso de sua morte.
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Khamenei, de 86 anos, liderava o Irã desde 1989 e detinha amplos poderes como líder supremo. Era ao mesmo tempo reverenciado por seguidores como representante de Deus e, como comandante em chefe das Forças Armadas, tinha a palavra final em todos os principais assuntos de Estado.
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Desde que sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini, o pai fundador da revolução islâmica, Khamenei governou com mão de ferro e recusou apelos por mudanças, reprimindo dissidências e ordenando a morte de manifestantes que desafiaram seu governo nas ruas. Acima de tudo, Khamenei se via como o guardião da revolução, responsável por salvaguardar a sobrevivência da república islâmica, e havia identificado possíveis substitutos para assumir esse papel após ele.
Agora, parece que seus planos serão postos à prova.
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O governo iraniano informou no domingo que ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã mataram Khamenei, horas depois de o presidente Donald Trump ter anunciado a morte de Khamenei. Pouco tempo depois, a agência estatal iraniana IRNA afirmou que o presidente do Irã, o chefe do Judiciário e um jurista do Conselho dos Guardiões estariam encarregados durante o período de transição, sem detalhar o que vem a seguir.
Em junho, durante a guerra de 12 dias com Israel, quando Khamenei estava escondido, ele nomeou três candidatos que poderiam ser rapidamente designados para sucedê-lo. O líder supremo deve ser um clérigo xiita e estudioso sênior nomeado por um comitê de clérigos conhecido como a Assembleia dos Peritos.
Os três candidatos que Khamenei disse preferir para o cargo de líder supremo, com base em entrevistas com seis autoridades iranianas de alto escalão e dois clérigos que não quiseram ser identificados ao discutir informações sensíveis, são o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i; o chefe de gabinete de Khamenei, Ali Asghar Hejazi; e Hassan Khomeini, um clérigo moderado da facção política reformista que é neto de Khomeini.
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O Exército israelense informou que Hejazi foi morto.
O filho de Khamenei, Mojtaba, que tem sido uma figura poderosa nos bastidores, é favorecido por algumas facções, mas Khamenei disse a seguidores que não queria que o posto de líder supremo fosse hereditário.
O que acontece agora no Irã é incerto.
As divisões do país ficaram evidentes até o fim do sábado. Em alguns bairros de Teerã, opositores de Khamenei foram vistos comemorando, dançando e gritando em celebração às notícias de sua morte, segundo mais de uma dúzia de moradores da capital, contatados por telefone e mensagens de texto.
“Você consegue ouvir os gritos e os aplausos? Olha, fogos de artifício no meu quarteirão”, disse Ali, um empresário, em uma chamada de vídeo do Irã.
Antes dos ataques aéreos de sábado, Khamenei tomou precauções para preparar o país e o regime para sobreviver. Ele delegou a condução do país a um de seus aliados mais próximos, o político veterano Ali Larijani, que é o chefe do Conselho de Segurança Nacional e efetivamente deixou de lado o presidente Masoud Pezeshkian.
“Faremos os criminosos sionistas e os americanos desonrosos se arrependerem”, disse Larijani nas redes sociais no sábado. “Os bravos soldados e a grande nação do Irã darão aos tiranos internacionais que estão indo para o inferno uma lição inesquecível.”
Khamenei também autorizou um pequeno círculo de aliados políticos e militares a tomar decisões caso ele fosse morto ou ficasse incomunicável durante uma guerra, e nomeou quatro níveis de sucessão para figuras militares e políticas de alto escalão que ele próprio designa, segundo seis autoridades iranianas de alto escalão.
Eles incluem seu chefe de gabinete, Hejazi; o general de brigada Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda Revolucionária; e seu principal assessor militar e ex-comandante-chefe da Guarda, general Yahya Rahim Safavi.
Não estava claro no início do domingo quem estava no comando.
Dias antes, Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, disse à mídia iraniana que, em caso de guerra com os Estados Unidos, “podemos ter perdido alguns de nossos líderes, mas isso não é um grande problema.”
“Não temos limites na defesa de nós mesmos”, afirmou.
Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.
