Queda intensa do IGP-10 não deve se repetir nos demais IGPs do mês, diz Braz da FGV

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Fonte da notícia: Valor Valor

Preços menores no atacado e no varejo mantiveram em deflação o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), que, ao recuar 0,51% em agosto, acumulou a terceira queda seguida. O resultado, no entanto, não deve se refletir de forma tão intensa nos demais indicadores da família dos IGPs, avalia André Braz, economista da FGV. Há sinais, diz Braz, de que o ritmo de queda tenha perdido força ao longo de agosto nos produtos e serviços que levaram à manutenção da retração do IGP-10, no mês. Ao explicar a queda do indicador de agosto, o técnico chamou atenção para trajetória de preços do atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo-10 (IPA-10), 60% do IGP-10, caiu 0,69% em agosto, após recuar 1,76% em julho. “Os preços de bens intermediários e de bens finais registraram queda, de 1,98% e de 0,62% [respectivamente]”, afirmou. “Podemos dizer que o que está fazendo o IPA-10 cair são minério de ferro, batata e tomate”, disse. Os produtos citados tiveram quedas respectivas de 3,19%, de 38,67% e de 34,19%, no atacado. Ele ponderou, no entanto, que matérias primas brutas importantes já mostram alta, no atacado. É o caso de soja em grão (8,26%) e café em grão (8,24%). O técnico não descartou que esses produtos continuem a subir de preço, no mês – e, assim, influenciem para cima resultados de outros IGPs de agosto. Ao falar do varejo, 30% do IGP-10, Braz comentou que o Índice de Preços ao Consumidor-10 (IPC-10) caiu 0,47% em agosto, após subir 0,23% em julho, principalmente por conta de queda em tarifa de eletricidade residencial (-8,01%). Mas isso ocorreu principalmente por influência do chamado “bônus de Itaipu”, comentou. Esse desconto automático, aplicado na conta de luz, devolve aos consumidores excedentes financeiros gerados pela operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Ou seja: o efeito que mais contribuiu para o recuo do IPC-10 de agosto foi temporário, notou. Assim, para o técnico, os IGPs de agosto podem até registrar taxas negativas, mas menos intensas do que o IGP-10. Isso porque o efeito de recuos, que levaram à queda do indicador veiculado nesta segunda-feira (17), deve se diluir, ao longo do mês. “Não acredito em queda mais forte do que esse 0,51% [para IGP-DI e IGP-M de agosto]”, afirmou.

André Braz, economista da FGV Leo Pinheiro/Valor

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