A queda de 0,8% das exportações brasileiras no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, ante o primeiro, pode estar ligada ao aumento de estoques, especialmente de petróleo, avaliou a equipe de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (1º).
Perguntado especificamente sobre a influência das tarifas de importação dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras, o coordenador de Contas Nacionais, Ricardo Montes de Moraes, disse que viu algum efeito nas vendas de laminados planos e chapas de aço – produtos que já enfrentavam os impostos adicionais no segundo trimestre –, mas o peso é pequeno e não explica a queda das exportações como um todo.
A agropecuária cresceu 2,8% no segundo trimestre, ante o primeiro.
Frente ao segundo trimestre de 2025, o aumento foi de 6,8%.
Ao mesmo tempo, as indústrias extrativas avançaram 3,4% ante o primeiro trimestre e 12% em relação ao segundo trimestre de 2025.
As duas atividades são prioritariamente exportadoras, mas apesar disso as exportações caíram 0,8% no segundo trimestre, ante o primeiro, e cresceram 3,8% na comparação anual.
“O agro tem um comportamento muito sazonal e também uma coisa de estocagem.
Eles têm produção grande em um trimestre, estocam e vão soltando.
Não é uma coisa imediata, de produzir e exportar.
Pode ter uma defasagem”, afirmou Moraes.
De acordo com o gerente de Contas Nacionais Trimestres, Hugo Araújo Saramago, o petróleo foi a principal queda da exportação, em movimento simultâneo a um aumento de estoques.
Moraes não quis comentar uma eventual influência da guerra no Oriente Médio sobre esse fenômeno.
“A gente teve aumento de estoque e aumento de produção bastante grande [de petróleo].
Até aí eu posso ir, não vou me aprofundar muito porque não tenho explicação para isso.
O dado foi aumento de produção grande na extração, o maior destaque de todas as atividades, e aumento de estoque”.
Andre Ribeiro/Agência Petrobras
