Que Jogo É Esse: Secamos a Argentina, mas Messi não deixou que o perdêssemos para sempre

Que Jogo É Esse: Secamos a Argentina, mas Messi não deixou que o perdêssemos para sempre

Fonte: Bandeira



O choro de Messi no campo, a entrevista de Scaloni em prantos, os egípcios caídos no gramado, raivosos no microfone: nem era preciso sofrer por 90 minutos.

Bastava ligar a TV depois do apito final para entender que Egito x Argentina tinha atravessado alguma fronteira emocional e misturado tudo.

Há jogos que terminam no placar.

Outros ficam ali, pingando da camisa, presos no rosto, demorando a sair.

Que Jogo É Esse: assine e receba a newsletter de futebol do GLOBO, escrita por Thales Machado, editor de Esportes

Pesquisa: Confiança do brasileiro no hexa cresce e atinge maior patamar em 3 anos

Para nós, brasileiros recém-eliminados, havia uma alegria torta e um pouco envergonhada no 2 a 0 do Egito.

Já não era só rivalidade.

E soava diferente do afã por Davi contra Golias da secada anterior, contra Cabo Verde.

Era a pequena vingança dos feridos: ver outro gigante sangrar por perto, descobrir que a queda também pode fazer barulho na casa do vizinho.

O brasileiro secava a Argentina, mas não percebia direito o que estava secando junto.

Porque eliminar a Argentina era também empurrar Messi para fora da Copa.

Para sempre.

Era torcer contra a camisa que aprendemos a detestar e, sem notar, contra a última cena de um jogador que o próprio futebol parece relutar em perder.

Por alguns minutos, a raiva antiga foi mais rápida que a saudade futura.

A gente queria o fim, mas não tinha pensado no vazio depois dele.

Messi comemora 21º gol em Copas, que garantiu o empate para Argentina diante do Egito

Elsa/Getty Images via AFP

Messi pensou.

Ou, pelo menos, jogou como quem pensa com os pés.

Não foi por nós, claro.

Mas nossa energia negativa foi incapaz de confundi-lo.

Pegou a bola debaixo do braço e arrancou a partida da beira do abismo.

Não deixou que o fim chegasse quando os outros, eu inclusive, já tinham começado a celebrá-lo.

E então ficou essa sensação estranha, quase constrangedora, impossível de organizar: era um sorriso se abrindo ou uma frustração chegando atrasada? Quem secou, secou errado.

Quem começou a sentir saudade cedo demais ganhou mais um jogo.

E quem achou que estava torcendo por um fim descobriu, no susto, que talvez também torcesse para ele não vir.

Coisas que Messi faz.

Por nós ou contra a gente.

Sábado tem mais.