A "erosão nas margens dos rios, pontes danificadas, falhas nas estradas e interrupções nos serviços de eletricidade e comunicação" dificultam o acesso de equipes de resgate às áreas mais atingidas pelas desastrosas enchentes da semana passada no Nepal, principalmente no norte do país, aponta relatório da ONU.
Segundo a organização, cerca de 10 mil famílias foram afetadas pela tragédia.
Nesta terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores nepalês anunciou que o número de mortos no país subiu para 1.010, enquanto cerca de 4 mil pessoas seguem desparecidas.
Milhares de desaparecidos: Passa de mil o número de mortos após enchentes e deslizamentos de terra entre Nepal e Tibete
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Diversas comunidades nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, gravemente atingidos, enfrentam escassez ou falta total de suprimentos, segundo a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Risco de Desastres do Nepal (NDRRMA, na sigla em inglês).
De acordo com o relatório da NDRRMA, divulgado nesta terça e obtido pela rede americana CNN, nessas áreas "há escassez de barracas, o que está gerando dificuldades relacionadas a abrigo", além da necessidade de suprimentos alimentares, incluindo itens básicos como arroz e lentilha.
Em outro ponto, ainda segundo o relatório, em dois distritos da Municipalidade Rural de Tarkeshwar, em Nuwakot, "nenhum material de ajuda chegou às comunidades afetadas", e não há estruturas de abrigo na área.
Vista aérea mostra casas inundadas por lama após enchentes repentinas em Devighat, no município de Bidur, distrito de Nuwakot, no Nepal
Prabin Ranabhat/AFP
O relatório da ONU também aponta que cerca de 2.600 crianças menores de cinco anos, de um total estimado de 22.100 crianças afetadas, devem precisar de tratamento para "desnutrição aguda grave", enquanto milhares de gestantes necessitam de suporte nutricional.
Além disso, mais de 100 crianças podem ter sido separadas de seus pais.
A enchente, que atingiu a região do Himalaia entre o Nepal e a China, destruiu mais de 35 pontes e danificou cerca de 40 quilômetros de estradas, incluindo trechos de rodovias importantes.
Vídeo: Equipes de resgate do Nepal testam drones capazes de carregar 100 quilos para entregar ajuda em áreas isoladas pela tragédia
A enorme onda de gelo, rochas e detritos atingiu aldeias e cidades, soterrando moradias, derrubando pontes e arrastando veículos.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, que lançou uma parede de água e sedimentos rio abaixo.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, classificou o desastre como “inimaginável e devastador”.
Em entrevista à agência Reuters, o ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, disse que mais de US$ 4 bilhões (mais de R$ 20 bilhões) podem ser necessários para reconstruir a infraestrutura destruída.
Equipes testam drones
Com estradas e pontes arruinadas, postes de energia destruídos e a interrupção de transporte e comunicação, as equipes de resgate começaram a testar drones para entregar suprimentos por meio do rio Trishuli, que nasce no Tibete, onde há a confirmação de 16 mortes e mais de 500 desaparecidos, e desagua na região central do Nepal.
Com estradas e pontes arruinadas, equipes de resgate começaram a testar drones para entregar suprimentos
Atul Loke/ The New York Times
Na tarde do último sábado, cerca de uma dúzia de operadores de drones, voluntários do Exército e policiais se reuniram em um terreno aberto em Devighat, uma área na cidade de Bidur, no centro do Nepal, para testar se os dispositivos poderiam ser usados.
Os drones têm aproximadamente o tamanho de uma mesa de jantar e podem transportar até 100 quilos.
Alguns dos pacotes continham arroz, macarrão instantâneo, roupas e absorventes higiênicos.
Drones desse porte e capacidade, que custam milhares de dólares, podem subir a muitos metros de altitude.
Alguns dos operadores, por exemplo, eram experientes pilotos comerciais de drones que já haviam entregado encomendas em grandes altitudes no Himalaia.
