A rotatividade de treinadores já é uma marca conhecida do Botafogo desde a implementação da SAF, em 2022, com um total de 13 nomes até aqui — média de quase três por temporada.
Mas outro ponto que chama atenção na gestão alvinegra é o perfil escolhido para comandar a equipe.
Agora com Rodrigo Bellão, originalmente do sub-20, o alvinegro chega a 98 partidas entregues a técnicos interinos ou estreantes, número que representa quase um terço de todos os jogos (305) da era SAF.
Com elencos caros e temporadas de alta exigência, especialmente a partir de 2023, o "time" formado pelos interinos Cláudio Caçapa, Lúcio Flávio, Fábio Matias, Carlos Leiria e Rodrigo Bellão e os treinadores de primeira viagem Franclim Carvalho e Davide Ancelotti comandou o Botafogo em 32% das partidas deste período.
Foram 46 vitórias, 22 empates e 30 derrotas, com 54,4% de aproveitamento.
Desde a saída de Artur Jorge, campeão do Brasileirão e da Libertadores em 2024, o clube teve apenas dois nomes com carreira já estabelecida como técnico principal: Renato Paiva, em 2025, e Martín Anselmi, no início deste ano.
Técnicos do Botafogo na era SAF
Editoria de Arte
Obs: Levantamento considera números desde Botafogo 1 x 3 Corinthians, primeiro jogo do alvinegro como SAF, no dia 10 de abril de 2022, a Botafogo 2 x 3 Athletico-PR, em 24 de agosto de 2026.
Agora, com a provável permanência de Bellão — e sem negociação por um novo treinador até o momento —, o número de interinos e estreantes deve chegar à marca de 100 jogos nas próximas rodadas contra Flamengo e Palmeiras, vice e líder do Brasileirão, respectivamente — o alvinegro já vem de derrota para o terceiro colocado, o Athletico-PR, por 3 a 2, no Nilton Santos.
Em sua terceira passagem como interino do Botafogo neste ano, o técnico foi acionado para tentar reverter a goleada por 6 a 1 sobre o Cienciano na Sul-Americana (venceu apenas por 1 a 0 na volta, no Nilton Santos), antes de encarar a dura sequência no Brasileiro.
Desta vez, ele foi resgatado do sub-20 para substituir o estreante Franclim Carvalho, demitido do cargo no último dia 18.
Ex-auxiliar técnico de Artur Jorge, com quem foi campeão em 2024, o português iniciou sua trajetória como treinador justamente no alvinegro, em abril deste ano.
E durou apenas 22 jogos, tendo como a pá de cal a goleada para o Cienciano, na altitude de Cusco, no Peru.
Essa foi a segunda vez em que John Textor, ex-gestor da SAF do Botafogo, apostou em um técnico estreante.
A primeira foi com o italiano Davide Ancelotti, que iniciava a carreira de treinador principal após quase dez anos como auxiliar de seu pai, Carlo Ancelotti, passando por Bayern de Munique, Everton, Napoli e Real Madrid.
O jovem treinador, na época com 35 anos, substituiu o português Renato Paiva após a eliminação para o Palmeiras nas oitavas de final do Mundial de Clubes de 2025.
Davide encerrou o ano com uma série invicta de dez jogos, mas deixou o alvinegro pela discordância com a diretoria na demissão de Luca Guerra, preparador físico de sua comissão.
Já o histórico com os interinos é ainda mais longo e vai além de Rodrigo Bellão.
Em 2023, por exemplo, o Botafogo apostou no auxiliar Lúcio Flávio para tentar estancar a crise no Brasileirão daquele ano, e não deu certo — ele comandou a equipe, por exemplo, nas marcantes derrotas por 4 a 3, ambas de virada, para Palmeiras e Grêmio, no segundo turno.
Depois, no início de 2025, Carlos Leiria, técnico do sub-20, foi o escolhido para substituir Artur Jorge e assumir o time atual campeão do Brasil e da América.
No início daquela temporada, o alvinegro disputava os títulos da Supercopa do Brasil, contra o Flamengo, e da Recopa Sul-Americana, contra o Racing.
A escolha se mostrou tão equivocada que, em fevereiro, o time já tinha outro técnico para disputar a Recopa: Cláudio Caçapa, mais um auxiliar, em sua segunda passagem.
No fim, o clube ficou sem as duas taças do início do ano sob a perspectiva de Textor de que o ano só começava para valer em abril, com as disputas do Brasileirão e Libertadores.
As melhores passagens de interinos na era SAF foram a de Caçapa, que, antes de substituir Carlos Leiria, foi acionado como "bombeiro" em 2023, entre a saída de Luís Castro e a chegada de Bruno Lage, e deixou o time com larga vantagem na liderança no Brasileiro após quatro vitórias em quatro jogos, e também a de Fábio Matias, que comandou o Botafogo na pré-Libertadores de 2024 e levou o time à fase de grupos da competição — depois, ele passou o bastão para Artur Jorge.
Por outro lado, cerca de dois terços dos jogos da era SAF foram comandados por um treinador já com alguma bagagem na carreira: Luís Castro, Bruno Lage, Tiago Nunes, Artur Jorge, Renato Paiva e Martín Anselmi.
Luís Castro, o primeiro escolhido por Textor a comandar o projeto alvinegro, foi o único a completar um ano no clube, mas deixou a equipe no meio de 2023 para comandar o Al Nassr, da Arábia Saudita, a pedido de Cristiano Ronaldo.
No total, eles somam 207 partidas, 101 vitórias, 49 empates e 57 derrotas — 56,7% de aproveitamento.
