Quase um ano no mar: Porta-aviões que integrou ação na Venezuela volta aos EUA após missão mais longa já registrada em 60 anos; imagens

Quase um ano no mar: Porta-aviões que integrou ação na Venezuela volta aos EUA após missão mais longa já registrada em 60 anos; imagens

 

Fonte: Bandeira



Quase um ano depois de deixar a base naval de Norfolk, na Virgínia, o USS Gerald R. Ford, maior e mais avançado porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos, voltou para casa no último sábado, encerrando uma missão de 326 dias — a mais longa de um grupo de ataque de porta-aviões americano desde os últimos anos da Guerra do Vietnã. A operação levou o navio e sua tripulação por áreas que foram do Ártico ao Oriente Médio, passando pelo Mediterrâneo, Caribe, Mar Vermelho e Atlântico.

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USS Gerald R. Ford é o porta-aviões mais letal dos EUA e foi enviado à América do Sul

Divulgação

A missão começou em 24 de junho de 2025, quando o porta-aviões de 100 mil toneladas partiu de Norfolk. Ao longo dos 11 meses seguintes, o grupo de ataque cruzou o Atlântico quatro vezes e atravessou o Estreito de Gibraltar em diferentes momentos da operação. Em 6 de maio de 2026, no 317º dia da missão, o Ford passou pelo estreito pela quarta e última vez, entrando no Atlântico rumo aos Estados Unidos.

O Estreito de Gibraltar, que liga o Mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico, é uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, com cerca de 300 navios cruzando a passagem todos os dias. A travessia marcou uma das últimas etapas da longa mobilização do porta-aviões.

Antes da operação de 2025 e 2026, o USS Gerald R. Ford já havia atuado na área da Sexta Frota dos EUA. Em janeiro de 2024, após meses de treinamentos, exercícios e operações nas áreas dos comandos europeu e africano dos Estados Unidos, o navio deixou o Mediterrâneo pelo Estreito de Gibraltar.

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Caça americano pousa em pista de porta-aviões USS Gerald R. Ford

Reprodução: Marinha dos Estados Unidos

“Durante nosso tempo no Mediterrâneo, o navio e a tripulação tiveram um desempenho notável. Nossos marinheiros deram vida às tecnologias avançadas do navio para demonstrar as capacidades extraordinárias que os porta-aviões da classe Ford fornecerão às futuras gerações”, afirmou, à época, o capitão Rick Burgess, comandante do Ford. “No auge de nossa prontidão e proficiência, fomos chamados ao Mediterrâneo Oriental e provamos ser o navio certo, na hora certa, para atender ao chamado de nossa nação. O Gerald R. Ford é tudo o que nossa nação esperava que fosse, e mais.”

Na missão encerrada em maio de 2026, o porta-aviões participou do exercício Neptune Strike, da Otan, no Atlântico Norte, no fim de setembro. A operação reuniu cerca de 10 mil militares de 13 países da aliança e incluiu missões aéreas lançadas de porta-aviões, desembarques anfíbios no sul da Itália, patrulhas submarinas, guerra de superfície e simulações de atendimento a múltiplas vítimas.

Depois, o grupo foi deslocado para o Caribe, em meio a uma mobilização naval dos Estados Unidos no Comando Sul. Segundo o material, o porta-aviões teve papel em ações contra o tráfico marítimo de drogas e em uma quarentena de navios petroleiros sancionados que navegavam de e para a Venezuela. Em janeiro, fuzileiros e marinheiros partiram do Ford para tomar o controle do MT Veronica, no Caribe.

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Ponte de comando do USS Gerald R; Ford

Reprodução: Marinha dos Estados Unidos

Após mais de 100 dias na região, o porta-aviões foi enviado ao Oriente Médio na preparação da Operação Epic Fury, ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã, lançada depois do fracasso de uma terceira rodada de negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano. O Ford atravessou o Canal de Suez em 5 de março e entrou no Mar Vermelho.

No dia 12 de março, o porta-aviões sofreu um incêndio em uma lavanderia na parte traseira da embarcação. Mais de 200 marinheiros foram tratados por inalação de fumaça, um deles precisou ser evacuado por razões médicas e outros dois receberam atendimento por cortes, segundo o relato. A fumaça atingiu áreas de alojamento, e mais de 100 beliches foram perdidos. O navio seguiu para Souda Bay, em Creta, para reparos, antes de fazer uma escala de cinco dias em Split, na Croácia.

Cerca de um mês depois do incêndio, em 17 de abril, o Ford voltou ao Mar Vermelho e participou da ofensiva americana contra o Irã em meio às negociações de cessar-fogo. A operação só entrou em sua fase final em maio, quando o porta-aviões iniciou a travessia rumo a Norfolk.

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O USS Gerald R. Ford é o primeiro navio de sua classe e representa uma nova geração de porta-aviões americanos. A embarcação incorpora 23 novas tecnologias, entre elas o sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves, equipamentos avançados de recuperação de aviões e elevadores de armas modernizados. Segundo a Marinha dos EUA, os sistemas foram projetados para ampliar letalidade, sobrevivência e interoperabilidade, com uma tripulação 20% menor que a de um porta-aviões da classe Nimitz.

O grupo de ataque do Ford contou com o Carrier Strike Group 12, a ala aérea Carrier Air Wing 8 e destróieres da classe Arleigh Burke. Entre os navios que acompanharam a missão estavam o USS Winston S. Churchill, o USS Mitscher, o USS Mahan, o USS Bainbridge e o USS Forrest Sherman.

Ao retornar à base naval de Norfolk, no dia 16 de maio, o porta-aviões foi recebido por milhares de familiares e amigos de tripulantes. A volta encerrou uma mobilização marcada por travessias sucessivas, operações de combate, exercícios aliados, ações no Caribe e problemas a bordo, consolidando o USS Gerald R. Ford como peça central da projeção naval americana em meio a crises simultâneas.