Quase mil peixes-leão invasores venenosos são capturados na Bahia

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Peixe-leão: quase mil animais venenosos são capturados na BahiaReprodução / Pexels Quase mil peixes-leão foram retirados do mar e entregues à Colônia de Pescadores Z-22, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, em apenas dois meses. Ao todo, 966 exemplares foram registrados entre agosto e setembro de 2026, em uma iniciativa que busca conter o avanço da espécie invasora e reduzir os impactos sobre os ecossistemas marinhos.Do total contabilizado, 442 exemplares foram entregues em agosto e outros 524 em setembro. Como incentivo à captura, os pescadores recebem R$ 10 por animal entregue.Os números não significam, necessariamente, que todos os peixes tenham sido encontrados nos limites de Porto Seguro. Os profissionais atuam em diferentes pontos da região, contribuindo também para acompanhar a expansão do predador pelo litoral brasileiro.Além de ameaçar a biodiversidade, o peixe-leão oferece riscos às pessoas por causa dos espinhos venenosos. A espécie exige atenção de pescadores, mergulhadores, banhistas e profissionais que trabalham em áreas costeiras.Por que o peixe-leão preocupa pesquisadores?Nativo da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão é considerado uma espécie invasora no Atlântico ocidental. Sua presença preocupa pesquisadores porque o predador se alimenta de peixes e crustáceos, podendo alterar o equilíbrio dos ecossistemas onde se estabelece.A espécie também pode competir com predadores nativos por alimento. Em áreas onde encontra condições favoráveis, sua população pode crescer e ampliar a pressão sobre a fauna marinha.Peixe leão Reprodução Outro fator de preocupação são os espinhos que contêm veneno neurotóxico. O contato pode provocar dor intensa, inchaço e outros sintomas, exigindo atendimento médico em caso de acidente.Por isso, a orientação é não tocar nem tentar capturar o animal sem treinamento e equipamentos adequados.Como funciona a captura do peixe-leão na BahiaA iniciativa em Porto Seguro remunera pescadores por exemplar entregue e também busca ampliar a capacidade de identificação e monitoramento da espécie.Além de retirar os animais do ambiente marinho, a ação permite reunir informações sobre a ocorrência do peixe-leão em diferentes pontos do litoral. Parte dos exemplares em condições adequadas é encaminhada à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) para pesquisas.Em setembro, uma amostra também foi enviada ao Senac para estudos sobre o possível aproveitamento gastronômico do pescado.O trabalho científico é importante para compreender melhor a expansão da espécie e avaliar estratégias de controle. A retirada dos exemplares, quando realizada de maneira adequada, pode contribuir para reduzir a presença do predador em áreas monitoradas.Peixe-leão também ameaça áreas de preservaçãoO monitoramento exige atenção especial em unidades de conservação marinhas, onde a pesca é proibida e o controle da espécie depende de ações autorizadas e de profissionais capacitados.No Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro, equipes treinadas identificaram e retiraram dois peixes-leão em setembro.A presença do animal nesse tipo de ambiente preocupa porque os recifes abrigam diversas espécies e desempenham funções importantes para a biodiversidade marinha. A introdução de predadores invasores pode aumentar a pressão sobre populações de peixes nativos.Onde o peixe-leão já foi encontrado no Brasil?Na Bahia, a espécie já foi registrada em pontos conhecidos de Salvador, como o Farol da Barra e a Praia do Porto da Barra.Além do litoral baiano, há registros de peixe-leão em outros estados do Nordeste, incluindo Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Alagoas.A distribuição da espécie por diferentes trechos da costa reforça a necessidade de monitoramento contínuo, identificação correta e ações de controle conduzidas por equipes preparadas.A participação de pescadores e pesquisadores ajuda a acompanhar o avanço do predador e a reunir dados para orientar medidas de proteção da biodiversidade marinha.

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