Quase mil médicos sofreram agressões no trabalho no Rio em sete anos, aponta CREMERJ

 

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Um levantamento inédito realizado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) mostrou que quase mil médicos sofreram algum tipo de agressão durante o trabalho desde 2018. A maioria das vítimas são mulheres, especialmente em situações de assédio moral.

Em entrevista ao CBN Rio, o presidente do Conselho, Antônio Braga, alerta que os números representam apenas parte do problema.

"O problema é apenas a ponta do iceberg, considerando que a imensa maioria dos médicos agredidos sequer formaliza a agressão junto ao Conselho Regional de Medicina. Os dados, para além do estado do Rio de Janeiro, mostram que um médico é agredido a cada duas horas no Brasil. Quase mil médicos agredidos registraram essas agressões junto ao Conselho Regional de Medicina nos últimos anos".

O presidente explica que os motivos para o alto número são variados, mas que passa primeiramente pela consciência de que muitos pacientes se sentem 'abandonados' nas esferas dos serviços públicos e privados de saúde, onde expressam insatisfação e o fazem, segundo Antônio, em casos extremados e de forma equivocada.

"Descontam no médico toda a incompetência de múltiplas esferas de gestão e veem naquele profissional que está ali na frente dele muitas vezes também que sofre com a tristeza do nosso sistema de saúde, em especial o sistema de saúde público, mas também no privado e ali reclamam de falta de medicamentos, reclamam da lentidão do atendimento, reclamam que não conseguem fazer os exames, reclamam da demora para suas cirurgias, são múltiplas as causas que demandam a agressão verbal".

Os dados sobre as agressões incidirem mais sobre mulheres é alarmante, e o presidente aponta que os profissionais também são 'vítimas do sistema', já que há poucos médicos, gestores e remédios disponível, o que dificulta e atrasa os atendimentos.

"E quem é o agredido? É o profissional que está ali na ponta, é o médico que atende o seu paciente. Quando são mulheres, esses pacientes muitas das vezes se sentem diante de uma sociedade que vê as nossas mulheres em uma posição de maior fragilidade, se sentem mais à vontade para apresentar sua insatisfação por meio de agressão verbal e por vezes até agressão física".

Antônio também explica que foi observado um aumento da quantidade de agressões ao longo dos anos, e que não há somente um aumento da insegurança violência urbana, também há insegurança dentro do ambiente de saúde. Ele explica de que maneira o médico vítima de algum tipo de violência pode reportar a ação:

"A resposta é sim, percebemos um aumento e vemos isso através dos dados que nós temos compilado desde 2018, quando esse registro de violência começou a ser coletado pelo CREMERJ. Qualquer médico agredido pode entrar no site do Conselho e lá fazer o registro dessa ocorrência. O CREMERJ vai imediatamente, nas primeiras horas, fazer contato diretamente com o médico agredido e nós vamos a unidade de saúde conversar com o responsável para entender o que está acontecendo. E aqui é importante dizer que os médicos precisam fazer esse registro para a gente documentar e chamar a responsabilidade às autoridades públicas".

Ouça a entrevista completa: