Quase dois milhões trabalham por meio de apps de serviços, como transporte e entrega, aponta IBGE

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Quase dois milhões (1,959 milhão) trabalhavam por meio de aplicativos de serviços no Brasil em 2025, a maioria em plataformas de transporte privativo de passageiros e de entrega de comida. O grupo considera tanto os que têm na atividade sua ocupação principal quanto aqueles em que esse trabalho é complementar ou secundário. Ao todo, respondiam dos 1,9% das pessoas ocupadas no país. A grande maioria (92,1% do toal, ou 1,8 milhão de pessoas) tem nesta atividade seu trabalho principal ou único. LEIA MAIS: IBGE: Renda de trabalhadores que usam apps de transporte ou entrega para trabalhar cresce 1% entre 2022 e 2025, ante alta de 10,6% entre demais ocupados IBGE: Apenas um terço de quem usa aplicativos para trabalhar contribui para previdência Flexibilidade e falta de outra ocupação são principais motivos trabalho por apps, mostra IBGE As informações são parte do estudo Trabalho por Meio de Plataformas Digitais (2025), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e divulgada hoje. A pesquisa faz um amplo levantamento sobre esses trabalhadores, com perfil sociodemográfico, características do trabalho – com destaque para dados sobre rendimento – contribuição para previdência e nível de dependência em relação às empresas responsáveis pelas plataformas digitais de trabalho, inclusive nas jornadas de trabalho. Quase 60% (58,9%) dos trabalhadores que usavam aplicativos de serviços para trabalhar atuava no transporte particular de passageiros, um total de 1,155 milhão de pessoas. Outros 376 mil, ou 19,2% do contingente, trabalhavam como entregadores de aplicativos de entrega de comida ou outros produtos. Dessa forma, essas duas ocupações respondiam por quase oito a cada dez trabalhadores (ou 78,1% do total) que trabalhavam por meio de plataformas digitais. O levantamento do perfil desses trabalhadores por plataformas digitais se restringiu ao grupo em que tinha na atividade seu trabalho principal ou único. O trabalhador por plataforma digital é predominantemente masculino, adulto jovem (25 a 39 anos) e com ensino médio completo e superior incompleto (níveis intermediários de escolaridade). Os homens são 84,4% desse grupo, participação bem superior à 58,7% do total das pessoas ocupadas. Os adultos jovens respondem por 47% daqueles que usam aplicativos de serviço para trabalhar, acima da parcela de 37,6% das pessoas ocupadas. As pessoas com níveis intermediários de escolaridade, sobretudo com nível médio completo ou superior incompleto (62,5%), eram maioria entre os trabalhadores por plataformas digitais. Os dados mostram ainda predominância do trabalho por conta própria: 86,8% do total de trabalhadores por aplicativo no trabalho principal. A despeito dessa maioria de trabalho por conta própria, o analista do IBGE responsável pela pesquisa, Gustavo Geaquinto, destaca a existência de indicadores que apontam nível de dependência desses trabalhadores às empresas responsáveis pelos aplicativos. “Há uma concentração dos trabalhadores por meio de plataformas no grupo de conta própria. No entanto, mesmo na ausência de vínculos formais empregatícios com as empresas que controlam tais aplicativos, há evidências de dependência da maior parte desses trabalhadores.” A pesquisa mostra, por exemplo, que 62,5% dos 1,8 milhão de trabalhadores por plataforma no emprego principal no país dependiam de apenas um aplicativo para exercer a profissão. Entre os motoristas de aplicativo não-taxistas, 80,2% dependiam totalmente da ferramenta digital utilizada em relação ao valor a ser recebido por cada tarefa, percentual que chegava a 78,3% entre os entregadores por aplicativo. No caso desses últimos, a plataforma também tinha grande ingerência em definir quais clientes seriam atendidos e na forma como o pagamento seria recebido, com impacto, respectivamente, em 70,8% e 71,3% dos trabalhadores. Aumento de quase 40% em três anos A pesquisa do IBGE teve outras duas edições: em 2022 e em 2024. Nesses outros anos, no entanto, o instituto contabilizou apenas os trabalhadores que usam os apps de serviços como ocupação principal. Nesse caso, portanto, é possível observar a evolução desse grupo. Em 2025, o contingente era de 1,8 milhão de trabalhadores, uma alta de 36,8% em três anos. O perfil dos segmentos de atuação permanece o mesmo: a grande maioria é de trabalho em aplicativos de transporte particular de passageiros, seja de táxi ou outro tipo, seguido por aplicativos de entrega de comida e outros produtos. Também há uma parcela menor que usa aplicativos de serviços gerais ou profissionais.

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