Quase 25 milhões de vítimas não reconhecem a violência contra mulher - QTU Questões do Universo

Quase 25 milhões de vítimas não reconhecem a violência contra mulher

Fonte: Bandeira da fonte

O Mapa Nacional da Violência de Gênero mostra que quase 25 milhões de mulheres viveram situações de violência doméstica em 12 meses e não conseguiram identificar essa violência.
São 24 milhões, 970 mil mulheres, ou cerca de 87% delas, que relataram situações concretas de violência sem nomeá-las espontaneamente como violência.
Quando somamos a esse grupo quase 2 milhões de mulheres que declararam ter sofrido violência, mas não acionaram a delegacia, o 180 ou o 190, chegamos a um contingente de 26 milhões, 840 mil brasileiras na lacuna entre a violência que elas sofreram e a busca por proteção policial.
Estamos falando de quase 94% das vítimas.
Essa é uma análise inédita, que foi possível com o cruzamento de dados de diferentes fontes, uma das premissas do Mapa Nacional da Violência de Gênero.
A plataforma é mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência, pelo Instituto Natura e pela Gênero e Número.
A análise evidencia justamente a distância entre a violência que essas mulheres vivenciaram e a violência que chega aos registros oficiais e, consequentemente, ao alcance das políticas públicas de proteção e acolhimento a essas vítimas.
Também é possível observar os números de cada unidade da federação.
Alagoas, por exemplo, é o único estado em que a proporção de mulheres que vivenciaram situações de violência sem declará-las como violência é superior à estimativa nacional.
Por essa análise, mais mulheres em Alagoas sofreram violência sem conseguir identificar a violência que sofreram.
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado, mostra que apenas 4% das brasileiras declaram ter sofrido violência doméstica ou familiar a cada 12 meses.
Porém, quando elas são perguntadas sobre situações específicas de violência, sem que a palavra, sem que o termo seja citado na pergunta, esse percentual sobe para 33% das brasileiras que relatam experiências compatíveis com violência doméstica.
Por exemplo, se é perguntado se a mulher já sofreu violência doméstica, ela responde que não.
Quando é perguntado se já teve o celular suprimido dela sem a sua anuência, e ela diz que sim, isso é uma forma de violência.
Fica claro que ela não está conseguindo identificar que aquilo que foi cometido contra ela é uma violência.
Essa distância ajuda a explicar por que os registros administrativos, isoladamente, não dão conta de medir o problema.
Quando falamos que violência de gênero é um tipo de violência subnotificada, uma análise como essa dá a dimensão da subnotificação.
Os sistemas públicos de segurança, saúde e justiça captam só uma fração da violência de gênero que, de fato, é vivida pelas brasileiras.
É por isso que o Mapa Nacional da Violência de Gênero reúne, em uma plataforma só, os resultados da pesquisa nacional, os registros internacionais e os registros administrativos de segurança pública, da Justiça e da saúde, cruzando esses dados e permitindo uma visão bastante ampla sobre o problema social.
A análise mostra que a violência doméstica e a violência de gênero são problemas subnotificados no Brasil.
Entre os muitos motivos está o fato de as vítimas não reconhecerem a violência que está sendo cometida contra elas.